Cuba denuncia pressão dos EUA para reduzir apoio contra bloqueio na ONU
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou os Estados Unidos por pressionar governos a reduzir o apoio à resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra a ilha.
Segundo reportagem do Cubadebate, o chanceler afirmou que Washington recorre a ameaças de restrições a vistos e imposição de tarifas para influenciar a votação, marcada para 28 de outubro na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Em entrevista coletiva na quarta-feira (21), Rodríguez apresentou documentos e trechos de vídeos que, de acordo com o governo cubano, demonstram uma campanha para convencer países a mudar seu posicionamento. A iniciativa busca enfraquecer o respaldo internacional à proposta, tradicionalmente aprovada por esmagadora maioria na ONU.
Segundo o chanceler, as pressões incluem pedidos para que governos favoráveis à resolução se abstenham ou deixem o plenário no momento da votação. Ele também afirmou que embaixadas e funcionários americanos distribuem mensagens para tentar alterar os votos dos países.
Rodríguez afirmou ainda que um grupo de nações latino-americanas de atua em favor dos objetivos de Washington, procurando convencer outros governos a modificar suas posições.
Entre as possíveis retaliações mencionadas pelo ministro estão a negativa de vistos a funcionários e seus familiares e a adoção unilateral de tarifas. Na avaliação dele, essas medidas fazem parte da tentativa de reduzir o apoio diplomático a Cuba.
O chanceler também contestou um documento que é distribuído pelos Estados Unidos para defender a legalidade das sanções e sustentar que elas permitem o comércio com a ilha. Rodríguez afirmou que Washington procura responsabilizar o governo cubano pelos prejuízos econômicos, financeiros e sociais decorrentes do bloqueio.
A reportagem relaciona a ofensiva diplomática ao endurecimento das restrições americanas e ao bloqueio energético sem precedentes, com consequências para a população.
Reunião na ONU é alvo de críticas
Na coletiva, Rodríguez criticou um encontro realizado em 19 de outubro em uma sala das Nações Unidas, convocado pelo representante dos Estados Unidos na organização. Segundo ele, cerca de dez países participaram, com presença reduzida de embaixadores.
O ministro classificou a reunião como um evento fracassado e afirmou que ela integrou os esforços para influenciar a votação da resolução. Também questionou a participação de opositores cubanos em um espaço que, conforme relatou, exige credenciamento diplomático.
Entre os participantes mencionados pelo chanceler estavam Orlando Gutiérrez Boronat, José Daniel Ferrer e Luis Manuel Otero Alcántara. Rodríguez dirigiu acusações aos três e apresentou a presença deles como parte de uma provocação contra Havana.
Para o chefe da diplomacia cubana, a iniciativa também procurou desviar a atenção das consequências das medidas americanas sobre a ilha. Ele defendeu uma reação urgente da ONU e argumentou que práticas semelhantes poderiam atingir outros Estados.
Havana espera nova aprovação da resolução
Apesar das denúncias de pressão, Rodríguez manifestou confiança em uma nova aprovação do texto que pede o encerramento do bloqueio. Ele agradeceu aos governos que apoiam a resolução e aos países que enviaram doações a Cuba.
O chanceler também citou manifestações de solidariedade de parlamentos, organizações sociais e políticas, artistas e intelectuais. Segundo ele, 43 organizações internacionais apresentaram ao secretário-geral da ONU, António Guterres, informações sobre os impactos das restrições americanas na ilha.
“Quanto mais Cuba resistir, maior será a solidariedade”, declarou.
Durante a entrevista, Rodríguez também rejeitou um mandado de prisão contra Raúl Castro que foi expedido pelo Gabinete do Procurador-Geral da Flórida. O ministro afirmou que a medida não tem valor jurídico, ético ou prático.
Ao abordar o futuro das relações bilaterais, o chanceler sustentou que a resistência cubana e a posição da população dos Estados Unidos levarão a uma mudança na política de Washington. A votação de 28 de outubro será o próximo momento de manifestação dos países na Assembleia Geral sobre a continuidade do bloqueio.
Fonte: Brasil 247