Instagram expande alcance de políticos e descumpre regra do TSE
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Ao arrepio das restrições impostas pela Justiça Eleitoral para frear a distribuição algorítmica de conteúdos políticos nas eleições de 2026, o Instagram seguiu em sentido oposto ao de seus concorrentes e expandiu o alcance de candidatos no Brasil, informa a Folha de São Paulo.
Um levantamento inédito elaborado pelo Instituto Democracia em Xeque expôs uma aplicação heterogênea da diretriz fixada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A resolução determina que as plataformas diárias suspendam o sistema de recomendação para perfis cadastrados por postulantes aos cargos públicos durante o período oficial da disputa.
Diferente do Instagram, todas as outras redes monitoradas — TikTok, X, YouTube e Facebook — registraram retração acentuada no consumo do conteúdo de postagens políticas. O levantamento monitorou 2.076 contas de atores políticos brasileiros, englobando os seis postulantes de maior relevância à Presidência da República, comparando o desempenho desses perfis com um grupo de controle sem candidaturas entre 1º de fevereiro e 20 de outubro.
A performance observada entre os meses de fevereiro e junho serviu como parâmetro inicial para avaliar as flutuações após o início do pleito. Os dados mostram que:
- Instagram: Registrou alta de 7,5% nas visualizações das postagens de candidatos em relação ao grupo de controle, ainda que a taxa de engajamento e interações tenha caído 11,6%.
- TikTok: Sofreu um tombo drástico de 95% nas visualizações e uma retração de 90,6% nas interações.
- X (antigo Twitter): Observou encolhimento de 49,9% no alcance dos vídeos e postagens, além de retração de 38,1% em engajamento.
- YouTube: Teve baixa de 44,5% nas visualizações e de 52,5% em interações.
- Facebook: Registrou retração de 19% em alcance e de 40,5% nas interações.
Conforme analisa o pesquisador Marcelo Alves, idealizador do levantamento, o objetivo central foi mensurar o impacto concreto do freio regulatório nas engrenagens das redes. “Se não pode haver recomendação algorítmica de conteúdo, deveria haver sistematicamente uma queda. O que este estudo mostra é que esse efeito de fato acontece em todas as plataformas, exceto no Instagram”, aponta o especialista.
Ao estratificar o comportamento no Instagram por espectro ideológico, constatou-se que a mediana de visualizações recuou 11% para candidatos alinhados à direita, subiu 2% no centro e saltou 14% na esquerda. Alves ressalta que essa virada na esquerda não anula o privilégio estrutural reservado à direita na rede, tratando-se na verdade de uma forte mobilização de militância no período de votação. Ele frisa que as contas da direita seguem com números absolutos e audiência significativamente mais robustos no ecossistema digital.
Em contrapartida, no Facebook, a perda de alcance atingiu 71% na direita, 64% no centro e 55% na esquerda. No TikTok, a queda ocorreu de maneira aguda e simultânea em todos os campos do espectro político.
Documentações e trocas de mensagens corporativas revelaram que técnicos da Meta admitiram internamente a ocorrência de bloqueios operacionais que afetaram negativamente perfis do presidente Lula (PT), ao passo que a conta de Flávio Bolsonaro (PL) recebia impulsões algorítmicas veladas, descumprindo o veto do TSE. Em manifestação pública recente, a multinacional negou qualquer ingerência deliberada no pleito eleitoral e classificou os episódios reportados como meras “falhas técnicas”.
Procurada pela Folha de São Paulo para se manifestar pontualmente sobre os achados do estudo do Instituto Democracia em Xeque, a Meta não enviou posicionamento.
Fonte: Brasil 247