Rubel declara voto em Lula, alerta para riscos à democracia e convoca eleitores indecisos
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O cantor e compositor Rubel declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez um apelo aos eleitores que ainda não decidiram seu voto no segundo turno das eleições presidenciais. Em vídeo publicado no Instagram, o artista relatou sua trajetória política, explicou por que abandonou antigas convicções liberais e manifestou preocupação com os riscos que, em sua avaliação, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) representaria para a democracia brasileira.
Ao dirigir sua mensagem especialmente aos eleitores que rejeitam os dois candidatos, Rubel afirmou compreender as dúvidas de quem não se identifica com a esquerda e revelou que, durante boa parte da vida, esteve próximo do pensamento político de direita. O músico também defendeu o sigilo do voto como forma de proteger pessoas que enfrentam pressões familiares, profissionais e sociais para escolher um candidato.
“Eu quero falar com você que não gosta do Lula e não gosta do Flávio. Eu fui de direita por grande parte da minha vida. Muitas pessoas da minha família eram de direita, do meu colégio também. Então eu cresci acreditando no pensamento liberal”, afirmou.
Rubel ressaltou que continua respeitando políticos associados à tradição democrática de centro-direita, como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin. Segundo ele, sua mudança de posicionamento ocorreu a partir de uma reflexão sobre as desigualdades estruturais brasileiras e os limites das soluções econômicas liberais.
“À medida que eu fui crescendo, eu fui entendendo que muitas dessas ideias não funcionavam num país como o Brasil, que tem um histórico de desigualdade, de uma colonização violenta como ele teve. Porque livre concorrência só faz sentido se as pessoas partem do mesmo ponto”, declarou.
Na avaliação do cantor, as desigualdades de origem impedem que a competição econômica produza oportunidades equivalentes para todos. “Se elas não partem, o mercado se autorregula de uma forma que o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre”, acrescentou.
Foi essa mudança de compreensão sobre a realidade social brasileira que, segundo Rubel, o levou a apoiar Lula. “Por essas e por outras, meu voto é no Lula. Mas nem sempre foi assim e eu entendo você que tá indeciso”, disse.
Rubel aconselha eleitores pressionados pela família a preservar o sigilo do voto
O artista também relatou que abriu um espaço de diálogo no Instagram para ouvir pessoas que ainda não haviam escolhido um candidato. Entre as mensagens recebidas, destacou o depoimento de um eleitor dividido entre familiares com posições políticas opostas.
Segundo Rubel, o relato chamou sua atenção porque o eleitor temia decepcionar parte da família independentemente da decisão que tomasse. O cantor afirmou que recebeu outras manifestações semelhantes, envolvendo pressões de parentes, cônjuges, amigos e até superiores hierárquicos no ambiente de trabalho.
Ao comentar essas situações, reconheceu que também enfrentou conflitos pessoais motivados por divergências políticas.
“Eu já briguei com muitas pessoas, eu já rompi com pessoas que eu amo por causa de política”, afirmou.
O músico recomendou que os eleitores não permitam que essas pressões determinem suas escolhas e lembrou que a legislação brasileira garante o caráter secreto do voto.
“Se eu puder dar um conselho pra essas pessoas, o meu conselho é: o voto é secreto. Se você quer votar no Lula, vota no Lula. Você não precisa se justificar, você não precisa falar pra ninguém, você não precisa virar um militante do PT. Mas o seu voto importa”, declarou.
Cantor vê ameaça à Constituição em eventual vitória de Flávio Bolsonaro
Outro ponto central do pronunciamento foi a preocupação de Rubel com as consequências institucionais de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro. O cantor mencionou declarações atribuídas ao candidato do PL sobre a necessidade de modificar a Constituição de 1988 e questionou o significado político da proposta.
“O Flávio falou, no dia seguinte do primeiro turno, que ele queria mexer na Constituição de 88 pra redemocratizar o Brasil. Se ele quer redemocratizar é porque a democracia, a Constituição do jeito que elas estão não funcionam pra ele”, afirmou.
A interpretação apresentada por Rubel é de que o discurso de Flávio sobre mudanças constitucionais exige atenção dos eleitores diante da possibilidade de alterações nas garantias democráticas estabelecidas após o fim da ditadura militar.
O cantor argumentou que a preocupação não estaria restrita aos setores de esquerda e mencionou personalidades de diferentes orientações políticas que, segundo ele, também alertaram para os riscos envolvidos.
“Isso é um risco que pessoas do centro, da esquerda, da direita já alertaram sobre. Pessoas como a Simone Tebet, Drauzio Varella, até o Renan Santos já falou sobre esse perigo”, declarou.
Rubel também relacionou sua preocupação à composição do Congresso Nacional e à possibilidade de concentração de poder político em torno do candidato do PL. Na avaliação do artista, uma eventual vitória de Flávio poderia facilitar iniciativas de alteração da Constituição.
“As conquistas da Constituição correm risco agora no segundo turno. Ninguém dá todo o poder pra uma pessoa só”, afirmou.
Em seguida, o cantor sustentou que a presença de aliados de Flávio no Legislativo aumentaria sua capacidade de promover mudanças institucionais. Trata-se de uma avaliação política do artista, e não de uma demonstração de que o candidato teria poderes irrestritos para modificar a Constituição, cuja alteração depende de procedimentos e maiorias qualificadas no Congresso.
Defesa da democracia e da soberania nacional motiva apoio a Lula
Na parte final do vídeo, Rubel apresentou a defesa da Constituição de 1988 como uma das principais razões para apoiar a continuidade de Lula na Presidência da República.
A Carta Magna, promulgada após o processo de redemocratização, consolidou direitos civis, políticos e sociais e estabeleceu mecanismos de proteção das instituições democráticas. Para o músico, preservar essas conquistas é uma questão decisiva na disputa eleitoral.
O artista também associou seu voto à defesa da soberania nacional e da posição internacional do Brasil, temas que considera fundamentais para a escolha do próximo presidente.
“Por tudo isso, o meu voto é no Lula. Pela democracia, pela Constituição de 88, que a gente levou décadas pra conseguir conquistar”, declarou.
Rubel encerrou sua manifestação convocando os apoiadores do presidente a participar da mobilização eleitoral nesta reta final da campanha.
“Bora Lula, bora pra rua, bora virar esse jogo!”, concluiu.
A declaração do cantor ocorre em meio à disputa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, marcada por debates sobre a economia, o funcionamento das instituições democráticas e os rumos políticos do país. Ao expor sua própria mudança ideológica, Rubel procurou estabelecer um diálogo especialmente com eleitores de centro e de direita que ainda não decidiram seu voto.
Nikolas acusa Rubel de censura sem apresentar provas
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) acusou o cantor Rubel de ter acionado a Sony para retirar o áudio de um vídeo publicado no Instagram com depoimentos de nordestinos críticos ao presidente Lula (PT). Segundo o Poder360, a gravação utilizava a música Grão de Areia, parceria de Rubel com Xande de Pilares. Não há confirmação independente de que o artista tenha solicitado a restrição, que também pode ter ocorrido por mecanismos automáticos de proteção de direitos autorais.
O vídeo foi gravado em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, município onde Flávio Bolsonaro (PL) obteve 62,03% dos votos válidos no primeiro turno. Três dias antes, Nikolas havia divulgado outra gravação exaltando a prosperidade econômica da mesma cidade. Na segunda publicação, apresentou relatos de dificuldades sociais sem identificar o município. A acusação contra Rubel, apoiador declarado de Lula, provocou uma mobilização de apoiadores de Flávio nas redes sociais, apesar da ausência de provas de motivação política para a retirada do áudio.
Fonte: Brasil 247