Caso Ana Clara: Freixo confronta Flávio Bolsonaro sobre morte de menina de 5 anos (vídeo)

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT-RJ) denunciou nesta quarta-feira (21) o adiamento do julgamento do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de apenas 5 anos, durante uma ação policial em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O júri popular estava previsto para ocorrer nesta data, mas foi transferido para 5 de maio de 2027. Freixo responsabilizou politicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, que integrou a defesa do acusado, pela tentativa de impedir a realização do julgamento.

Em publicação nas redes sociais, Freixo relatou uma visita à casa de Cristiane Gomes da Silva, mãe da criança, para ouvir seu testemunho e dar visibilidade à luta por justiça. Segundo informações publicadas pelo Brasil de Fato nesta quarta-feira, o processo se arrasta há mais de cinco anos, enquanto a família aguarda uma decisão judicial sobre a responsabilidade pela morte da menina.

“Hoje, 21 de outubro, seria o julgamento do policial acusado de assassinar a menina Ana Clara, de 5 anos, em Niterói. Esse julgamento só não está acontecendo porque o senador Flávio Bolsonaro passou a advogar para o policial e usou seu poder político para adiar a realização do júri popular”, escreveu Freixo na postagem.

Freixo também destacou a mobilização da mãe de Ana Clara, que continua cobrando a responsabilização pelo crime.

“Estive na casa da mãe de Ana Clara, a Cristiane Gomes, para falar sobre sua luta em busca de justiça e por respeito à memória da filha”, afirmou.

Na mesma publicação, o parlamentar questionou os motivos que levaram Flávio Bolsonaro a participar da defesa do policial.

“Muita gente tem pesquisado sobre esse caso bárbaro e covarde para tentar entender por que um senador da República assume a defesa do assassino de uma criança. Por que Flávio usou seu poder político e influência para impedir o julgamento de um crime tão hediondo? Cristiane também faz essa pergunta. Vamos ouvi-la”, declarou.

Mãe de Ana Clara cobra julgamento e questiona atuação de Flávio

Durante a conversa divulgada por Freixo, Cristiane Gomes da Silva expressou sua indignação com a demora da Justiça e com a participação do senador na defesa do acusado.

“A questão é ele ser um senador, usar esse poder, essa força que ele tem na política para anular um júri. Ele não está defendendo, está atuando para não acontecer um júri de um cara que matou uma criança de 5 anos”, afirma Cristiane no vídeo.

A mãe ressaltou que sua cobrança não diz respeito à existência do direito de defesa, mas à tentativa de impedir que o acusado seja submetido ao julgamento popular.

“A pergunta que foi feita e está sendo feita pra ele [Flávio Bolsonaro] é por que advogou pra esse cara? A minha filha não volta mais. Eu não vou ter mais a minha filha. A única coisa que eu vou ter nessa vida ainda, e que eu acredito que eu vá ter, é a justiça pela vida dela”, declarou.

Cristiane também afirmou que nunca recebeu apoio de representantes da equipe do senador. Ao comentar o discurso de Flávio Bolsonaro em defesa da família, apontou uma contradição entre as posições públicas do parlamentar e sua atuação no processo.

“Nunca tive suporte nenhum, de nada. Eu acho meio contraditório porque ele diz tanto que preza pela família. Eu sou uma mulher, minha filha era uma menina. E assim ele se contradiz no que fala”, lamentou.

Ana Clara foi morta enquanto brincava com o irmão

O crime ocorreu em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, na região de Pendotiba, em Niterói. Ana Clara brincava na porta de casa com o irmão, então com 2 anos, quando foi atingida por um disparo de fuzil durante uma operação policial.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o cabo Bruno Dias Delaroli efetuou disparos em direção a uma área residencial, assumindo o risco de atingir moradores. A acusação sustenta que havia pessoas no local e que os policiais foram alertados sobre a presença de moradores.

A menina chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu aos ferimentos.

A defesa do policial sustenta que os disparos ocorreram em resposta a uma agressão de traficantes. Delaroli foi preso após o episódio, mas passou a responder ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares, em novembro de 2021.

O Ministério Público denunciou o agente por homicídio doloso. Posteriormente, a Justiça determinou que ele fosse submetido ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.

Flávio Bolsonaro tentou reverter decisão que levou policial ao júri

A participação de Flávio Bolsonaro no processo ocorreu em 2024, quando o senador, que também é advogado, integrou a equipe jurídica responsável pela defesa de Bruno Dias Delaroli.

Na ocasião, Flávio assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para contestar a decisão que determinava o julgamento do policial pelo Tribunal do Júri.

A iniciativa não obteve êxito. O recurso foi rejeitado, e a decisão de submeter o acusado ao julgamento popular foi mantida.

Em abril de 2025, a Quinta Turma do STJ não conheceu de um habeas corpus relacionado ao processo. Em junho daquele ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), também negou seguimento a um recurso ordinário em habeas corpus.

Apesar dessas decisões, o julgamento ainda não foi realizado. Inicialmente previsto para 14 de abril de 2026, data em que Ana Clara completaria 11 anos, o júri foi posteriormente remarcado para 21 de outubro e, agora, está previsto para 5 de maio de 2027.

A atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial tornou-se alvo de questionamentos políticos, especialmente porque ocorreu enquanto o parlamentar exercia seu mandato no Senado.

Lula cobrou explicações de Flávio durante debate presidencial

O caso ganhou repercussão nacional após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionar Flávio Bolsonaro durante o debate presidencial promovido pela Band no domingo (18), no segundo turno das eleições de 2026.

Lula confrontou o adversário sobre sua participação na defesa do policial acusado de matar Ana Clara.

“Você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”, perguntou o presidente.

Flávio Bolsonaro respondeu acusando Lula de tentar criminalizar o exercício da advocacia e de antecipar uma condenação antes do julgamento.

“Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento, você já condenou o cara”, rebateu o senador.

A troca de declarações ampliou a visibilidade do processo e levou o caso novamente ao centro da disputa eleitoral. A campanha de Lula já havia abordado a participação do adversário na defesa do policial em peças de propaganda.

A repercussão também impulsionou a mobilização nas redes sociais, com internautas buscando informações sobre a morte de Ana Clara e a atuação do senador.

O episódio foi ainda retratado no documentário “O Julgamento que Nunca Aconteceu”, da série jornalística “Revelando”, apresentado pela atriz Camila Pitanga, que reconstruiu as circunstâncias da morte da criança e os desdobramentos judiciais.

Família espera por justiça mais de cinco anos após o crime

Para Cristiane, o adiamento representa a continuidade de uma espera iniciada em fevereiro de 2021. Além da perda da filha, ela relata dificuldades pessoais e financeiras enfrentadas desde o crime.

“Estou pedindo para que ele [policial] seja julgado. Não é só mais uma criança, eu não sou só mais uma mãe que chora. São 5 anos que levo isso comigo e eu não tenho resposta”, afirmou.

Com o júri remarcado para maio de 2027, a família terá de aguardar mais de seis anos desde a morte de Ana Clara para que o caso seja submetido à apreciação dos jurados, caso não ocorram novos adiamentos.

Hoje, 21 de outubro, seria o julgamento do policial acusado de assassinar a menina Ana Clara, de 5 anos, em Niterói. Esse julgamento só não está acontecendo porque o senador Flávio Bolsonaro passou a advogar para o policial e usou seu poder político para adiar a realização do… pic.twitter.com/Dh3fkDJGkC

— Marcelo Freixo (@MarceloFreixo) October 21, 2026

Fonte: Brasil 247

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