Queimadas afetam saúde da população e têm relação com período eleitoral, diz médico da Fiocruz
Por Afonso Bezerra — Brasil de Fato
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A fumaça que tomou conta de Manaus vem gerando uma série de impactos para a saúde da população. O episódio de incêndios não é exatamente uma novidade, já que, entre 2019 e 2020, o estado vivenciou este fenômeno com intensidade, mas atualmente o cenário acaba agravado em consequência do super El Niño.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o médico Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz, lembra que esses incêndios apareceram com mais força justamente nos dois primeiros anos do governo Jair Bolsonaro e coincidem com o aumento do desmatamento na região. As queimadas são fruto, majoritariamente, da ação humana.
Orellana também vê uma relação direta entre o período eleitoral e a onda de incêndios, já que bolsonaristas vêm tentando colar essa situação no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Quem são as pessoas que estão provocando essa correlação temporal entre a multiplicação exorbitante de focos de incêndios após o período eleitoral? É uma situação que saiu do controle”, alerta.
“Daqui para frente, a tendência é que as coisas comecem a melhorar, principalmente porque começou a chover com alguma regularidade nos últimos dois, três dias”, aponta.
O médico destaca que a gestão Bolsonaro foi desastrosa para a região amazônica porque promoveu um desmonte na fiscalização e monitoramento de ações contra o meio ambiente. “Nós temos uma região mais vulnerável, propensa a esse tipo de ação. Uma região em que ocorreu um desmatamento enorme durante a era Bolsonaro e isso cria áreas de pasto, áreas vulneráveis a grandes incêndios”, pondera.
“Estão tentando manchar a imagem de um governo que, inclusive, fez um ato histórico nos últimos anos de reduzir os focos de desmatamento no Brasil para níveis muito menores do que no governo anterior”, avalia.
Para a população, as queimadas geram um impacto muito danoso à saúde, porque geram impactos imediatos e também a longo prazo, especialmente para quem fica por um longo período em contato com a fumaça. “Você sente uma ardência nos olhos, às vezes uma sensação de areia nos olhos, congestão nasal. Algumas pessoas, dependendo do lugar onde estão, têm um ressecamento de via aérea superior das narinas, ocasionando sangramento. Quem tem uma susceptibilidade maior a problemas respiratórios associados à rinite, por exemplo, à sinusite, costuma sofrer mais nessa época”, explica.
Orellana ainda alerta para problemas crônicos de pacientes submetidos à fumaça por longo período. “Vamos pensar, de fato, se é prejudicial para uma mulher gestante fumar durante a gestação. E, se você fuma durante a gestação, você não fuma 24 horas. Você fuma, no pior dos cenários, duas, três carteiras de cigarro por dia. Na fumaça da queimada tóxica, você não tem essa escolha. Você vai respirar fumaça tóxica 24 horas por dia”, exemplifica.
“Há possíveis efeitos sobre neoplasia pulmonar, como, por exemplo, problemas relacionados a desajustes de doenças cardiovasculares pré-existentes, problemas relacionados a pessoas que já têm histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica, como asma, enfisema e tantas outras doenças como bronquite, que costumam ter o seu quadro clínico agravado”, explica.
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato