Como funciona a checagem em tempo real cobrada por Lula para o debate da Globo
Por Gabriela Carvalho — Brasil de Fato
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A quantidade de mentiras ditas por Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Band, no último domingo (18), causaram grande reação popular e levantaram o questionamento da ausência de checagem de fatos em tempo real. Dois dias antes, em sabatina da Globo, o senador também distorceu fatos e chegou a ser repreendido e corrigido pela entrevistadora, a jornalista Renata Lo Prete.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Bernardo Moura, diretor de jornalismo e novas mídias do Aos Fatos, considera que a checagem de fatos é fundamental em qualquer democracia e essa importância aumenta de tamanho no cenário de polarização eleitoral. Dar contexto é fundamental e alertar para conteúdos gerados por inteligência artificial são dois elementos que atualmente pedem atenção.
“É um trabalho bastante técnico, sério. As iniciativas de checagem seguem um padrão internacional de verificação e isenção, justamente para evitar esse tipo de viés que é esse barulho que a gente vê nas redes sociais”, explica, ao reforçar que a checagem em tempo real é totalmente possível de ser realizada mas depende da vontade das emissoras e das campanhas dos candidatos.
Moura conta que, há 11 anos, o Aos Fatos já realiza checagem em tempo real e, portanto, isso é totalmente plausível. Atualmente, a mídia usa ferramentas de transcrição que têm facilitado atingir uma boa velocidade da checagem e a colocação das afirmações em seu contexto, para evitar também confusão. “Em 2024, tivemos uma experiência que foi bem-sucedida com a TV Cultura durante o programa Roda Viva, que fez as entrevistas com os candidatos à prefeitura de São Paulo (SP). Nós fazíamos a checagem e enviávamos para eles, que liam na hora, ao vivo”, relata.
Para o jornalista, a velocidade da checagem é importante para que o candidato seja confrontado de imediato. “A pessoa fica mais propensa a corrigir o que está dizendo”, aponta. Mas Moura reforça que ser criterioso também é muito importante. “São muitas vertentes e variáveis a serem consideradas [no processo de checagem dos fatos]”, pontua.
Ele conta que a organização também desenvolveu uma ferramenta chamada “Busca fatos” em que ela vai buscando, a partir do que está sendo dito, se aquela informação já foi checada e consta no banco de dados. O diretor conta que o Aos Fatos tem um banco de dados com mais de 20 mil checagens que foram sendo realizadas ao longo de anos. “A ferramenta faz esse match entre coisas que estão no nosso acervo e coisas que estão sendo ditas ao vivo. E isso deu uma velocidade maior também para verificar as coisas”, relata.
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato