PM de Raquel Lyra prende idosa de 69 anos por bandeira de Lula em ônibus no Recife
Por Redação — Esquerda Diário

No sábado (17), uma passageira de 69 anos que levava uma bandeira de Lula foi retirada à força de um ônibus no Terminal da Macaxeira e levada à delegacia, sendo autuada por desacato e desobediência. Uma semana antes, a mesma PM tinha detido 18 militantes por colarem lambes contra Flávio Bolsonaro.
Maria José da Silva, de 69 anos, entrou num ônibus da linha 1906 – TI Pelópidas/TI Macaxeira com uma bandeira de Lula. Saiu dele, segundo a defesa, arrancada à força, algemada e jogada numa viatura rumo à Central de Plantões da Capital (Ceplanc).
A situação teria ocorrido pois Maria estava com uma bandeira do Lula, voltando de um ato. O motorista reclamou que isso atrapalhava a visão dela e então uma brigada da PM parou o ônibus e obrigou a mesma a descer. Ela se recusou, foi tirada à força, algemada e levada à delegacia. Frente à violência sofrida, Maria questionou como uma mulher negra estaria prendendo outra mulher negra mais velha. Nisso, a PM ainda tentou enquadrar ela no crime por injúria racial. O absurdo é tamanho, que a PM desistiu de levar a acusação a frente, mas ainda assim mantiveram os crimes de resistência e desacato, e Maria só foi solta após fiança.
Dois sábados, a mesma polícia
O caso não é isolado. No sábado anterior (10), como denunciamos aqui, PMs com fuzis abordaram quatro estudantes que colavam lambes em Casa Amarela denunciando Flávio Bolsonaro e a escala 6×1. Os jovens foram levados à Polícia Federal, onde o próprio delegado de plantão classificou o caso como atípico e os liberou.
No mesmo dia, em Gravatá, 14 militantes foram detidos pela mesma acusação. O cartaz dizia que Flávio trabalha três dias por semana mas quer manter o trabalhador na 6×1. Foram 18 pessoas levadas à delegacia em poucas horas por colar papel na parede, algo que no Recife é, no máximo, infração administrativa.
Ver também: PM-PE de Raquel Lyra prendeu quase 20 militantes que estavam fazendo campanha contra Flávio Bolsonaro!
Uma semana depois, a vítima é uma senhora de 69 anos com uma bandeira de Lula. Os estopins são diferentes: num caso, uma abordagem na rua; no outro, uma discussão dentro do ônibus. A resposta da PM é a mesma:.
A “neutralidade” de Raquel Lyra tem farda
A PM de Pernambuco tem comandante, e ela se chama Raquel Lyra (PSD). A governadora se apresenta como neutra na disputa presidencial, mas seu aliado Mendonça Filho coordena a campanha de Flávio no estado, e o próprio Flávio já a cogitou como vice e a citou nominalmente ao prometer ajuda aos governadores.
Essa “neutralidade” acontece num estado onde Lula tinha 65% das intenções de voto contra 29% de Flávio no cenário de segundo turno, segundo o Datafolha divulgado no início de outubro. É justamente essa maioria, nas ruas, nos muros e nos ônibus, que a polícia da governadora tem tratado como suspeita.
Não é “excesso” de um ou outro policial. É a mesma governadora que judicializou todas as greves que enfrentou e que agora deixa sua polícia à vontade para intimidar quem faz campanha contra o bolsonarismo. Com isso, Raquel dá sinais ao bolsonarismo e já prepara a polícia para reprimir quem lutar.
Repudiamos a prisão de Maria José e exigimos o arquivamento do procedimento por desacato e desobediência aberto contra ela e também toda a repressão que vem ocorrendo contra quem se mobiliza contra o bolsonarismo nessa campanha eleitoral.
Fonte: Esquerda Diário