Trump celebra avanço da direita na América do Sul às vésperas do segundo turno no Brasil
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que a América do Sul atravessa uma transformação política marcada pelo fortalecimento da direita. A declaração ocorre a cinco dias do segundo turno da eleição presidencial brasileira, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Trump atribuiu a mudança no cenário regional às vitórias de candidatos que receberam seu apoio. O republicano afirmou que a esquerda perdeu espaço em países sul-americanos e demonstrou entusiasmo com o desempenho eleitoral de políticos alinhados à sua orientação ideológica.
“Se você olhar para o que está acontecendo na América do Sul, as pessoas não acreditariam. Estava tudo pendendo muito para a esquerda. Agora está tudo à direita”, declarou o presidente estadunidense, de acordo com o Metrópoles.
A manifestação ocorreu durante uma conversa com jornalistas, após Trump ser questionado sobre a possibilidade de apoiar a candidata de extrema direita Marine Le Pen na eleição presidencial da França, prevista para 2027. Embora tenha afirmado que não conhece pessoalmente a dirigente francesa, o presidente dos EUA aproveitou a pergunta para destacar o avanço de seus aliados políticos na América do Sul.
Trump elogiou desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno
Apesar de não mencionar diretamente o Brasil em sua declaração desta terça-feira, o posicionamento de Trump ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial brasileira.
O presidente estadunidense inda não anunciou apoio formal a nenhum dos candidatos que disputam o segundo turno, marcado para domingo (25). Entretanto, já havia demonstrado satisfação com o resultado obtido por Flávio Bolsonaro na primeira etapa da eleição.
Em 5 de outubro, um dia depois da votação, Trump classificou o desempenho do senador como uma “grande vitória”, mesmo diante da pequena diferença de votos em relação ao presidente Lula.
Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Lula conquistou 45,16%. A distância entre os dois candidatos foi de 1,87 ponto percentual.
Na ocasião, Trump também avaliou que a disputa decisiva seria acirrada.
Marco Rubio associa avanço da direita à política externa dos EUA
A avaliação de Trump sobre a América Latina foi precedida por declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que também destacou o fortalecimento de governos politicamente próximos de Washington.
Em entrevista concedida na segunda-feira (19) ao site conservador Breitbart News, Rubio relacionou parte desse movimento às mudanças promovidas pela administração Trump na política de assistência internacional dos Estados Unidos.
O secretário mencionou a transferência da gestão de recursos destinados à ajuda externa para o Departamento de Estado e o desmonte da estrutura anterior da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Rubio acusou organizações não governamentais latino-americanas de manter vínculos políticos com a esquerda e de atuar contra interesses estadunidenses. Segundo ele, parte dessas entidades recebia financiamento dos próprios Estados Unidos.
Na avaliação apresentada pelo secretário, a reformulação da assistência internacional contribuiu para modificar a atuação de Washington na região.
Rubio também procurou afastar a interpretação de que governos aliados estejam subordinados à Casa Branca. De acordo com ele, essas administrações compartilham prioridades estratégicas com os Estados Unidos, especialmente no enfrentamento de organizações vinculadas ao narcotráfico e na atração de investimentos norte-americanos.
Brasil fica fora de articulação de segurança liderada por Washington
A aproximação entre o governo Trump e administrações latino-americanas também se manifesta na área de segurança pública e no combate ao crime organizado.
Recentemente, 14 países da região aderiram a uma declaração conjunta voltada ao enfrentamento de 24 organizações classificadas pelos Estados Unidos como narcoterroristas.
Entre os grupos mencionados estão as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), designadas pelo governo norte-americano como organizações terroristas estrangeiras.
A iniciativa faz parte do chamado Escudo das Américas, articulação de segurança liderada por Washington que reúne 19 países.
Brasil e México não integram o grupo.
O governo Lula sustenta a necessidade de cooperação internacional para combater organizações criminosas transnacionais, mas rejeita a presença de forças militares estrangeiras em território brasileiro.
A posição brasileira estabelece uma diferença em relação à estratégia de segurança defendida pela administração Trump, que busca ampliar a coordenação regional contra organizações classificadas por Washington como ameaças terroristas.
Fonte: Brasil 247