O que se sabe sobre as mudanças nas seções eleitorais no segundo turno

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Por Luiz Fernando Menezes — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

A crescente desconfiança de parte do eleitorado com a condução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo ministro Kássio Nunes Marques fez com que a alteração de endereços de seções eleitorais entre os dois turnos, uma medida rotineira nos pleitos, se tornasse combustível para desinformação e teorias conspiratórias.

Nos últimos dias, após a divulgação da mudança de endereço de seções em alguns estados pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) local, publicações nas redes passaram a atribuir o fato a uma manobra de Nunes Marques para influenciar na votação de domingo (25). Houve ainda quem se aproveitasse da confusão armada nas redes para divulgar endereços incorretos e alterações que não foram anunciadas.

A imagem exibe uma captura de tela dividida em duas áreas. À esquerda, destaca-se a fotografia de um homem de pele clara e cabelo curto escuro, vestindo camisa branca, gravata azul clara e uma toga preta com detalhes em vermelho, que aparece com a mão direita parcialmente erguida à frente de um fundo desfocado com as cores verde e amarela. Na base dessa fotografia, há uma tarja vermelha contendo a palavra 'URGENTE' em grandes letras brancas. À direita, apresenta-se a interface de uma publicação de rede social com o seguinte cabeçalho: '🚨URGENTE: Espalhem esse post ao máximo!!! 📍MINISTRO INDICADO POR BOLSONARO ALTEROU LOCAIS DE VOTAÇÃO'. Os parágrafos seguintes alegam que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques, alterou o local de milhares de seções eleitorais para o segundo turno em regiões onde o candidato Lula teria vencido, enquanto os nomes e fotos de perfil dos usuários aparecem pixelados. 
Post que circula nas redes atribui de forma enganosa a mudança nos locais de votação a uma manobra de Nunes Marques no TSE. (Foto: Reprodução da internet)

A mudança nos locais de votação entre os dois turnos da eleição não é algo novo nem fora do comum. A medida está prevista na lei. Cabe ao TRE de cada estado, e não ao TSE, decidir quais seções serão alteradas, levando em conta critérios excepcionais, como infraestrutura inadequada, eventos climáticos extremos e riscos à segurança do eleitor.

Aos Fatos responde a seguir as principais dúvidas que surgiram sobre o assunto:

  1. Quantas seções foram alteradas?
  2. Por que o número de seções alteradas era maior?
  3. A lei permite essas alterações?
  4. As alterações feitas no primeiro turno permanecem?
  5. Quem decide a troca?
  6. Essa é a primeira vez que as seções são alteradas?
  7. Como posso conferir se minha seção mudou?

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1. Quantas seções foram alteradas?

De acordo com a Justiça Eleitoral, 441 seções eleitorais mudaram de local entre o primeiro e o segundo turno até o momento — menos de 0,1% do total.

“Os números ainda estão sendo atualizados à medida que as zonas eleitorais concluem os registros e ajustes necessários nos sistemas da Justiça Eleitoral”, afirmou o TSE em nota.

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Atualmente, os estados com maior número de alterações são Minas Gerais (118 mudanças), Piauí (41 mudanças) e Maranhão (37 mudanças).

Só a cidade de Araguari (MG), por exemplo, teve 16 seções eleitorais trocadas. Outros três municípios tiveram 13 alterações: Januária (MG), Santa Inês (MA) e São Paulo.

2. Por que o número de seções alteradas era maior?

A imprensa noticiou, inicialmente, que 4.352 seções eleitorais iriam sofrer alterações entre o primeiro e o segundo turno de 2026. O dado aparecia na base da Justiça Eleitoral, mas era resultado de uma falha de atualização. Segundo o TSE, o número cai conforme as zonas eleitorais concluem as atualizações necessárias no sistema.

3. A lei permite essas alterações?

Sim. A portaria nº 527/2026 prevê a possibilidade de alteração dos locais de votação — e até o adiamento pontual do pleito — em casos excepcionais que ofereçam riscos à integridade dos eleitores ou das urnas eletrônicas.

Ruy Fonsatti Júnior, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Paraná, explicou ao Aos Fatos que a alteração entre o primeiro e o segundo turno é um procedimento previsto nas normas eleitorais e que não representa qualquer tentativa de manipulação do resultado das eleições.

“Não há fundamento para afirmar que o TSE esteja utilizando mudanças de locais de votação para manipular as eleições. Uma acusação dessa gravidade exige provas concretas, e não especulações divulgadas nas redes sociais”, ressaltou.

4. As alterações feitas no primeiro turno permanecem?

Não necessariamente. Caso o local de votação tenha mudado antes do primeiro turno, a diretriz é que permaneça o mesmo no segundo turno.

Isso, no entanto, não é uma regra. Seções que sofreram mudanças no primeiro turno para alocações provisórias, por exemplo, podem ter voltado para o local original no segundo turno.

Por isso, é recomendado que os eleitores confiram o local de votação antes de sair para votar no próximo domingo (25). Saiba como no item 7.

A imagem mostra uma fila de pessoas em um corredor de paredes brancas, com portas e janelas de vidro na parte superior. À esquerda, há uma placa com a inscrição 'SEÇÃO 0463' acima da entrada de uma sala. Ao lado, um mural verde apresenta avisos e orientações sobre as eleições de 2026. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos longos e escuros, vestindo uma blusa marrom, aparece de costas. À sua frente, um homem de camiseta preta e calça branca está de perfil. Atrás dele, um homem de camiseta branca olha para um celular. Na sequência da fila, aparecem um homem de camiseta cinza e bermuda preta, uma mulher de blusa roxa e calça jeans e outras pessoas. Ao fundo, uma mulher veste roupas cor-de-rosa e segura um objeto preto. O corredor tem piso claro e iluminação branca.
Eleitores aguardam em fila o momento de votar no primeiro turno das eleições. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

5. Quem decide a troca?

A decisão é dos TREs, e não do TSE. Também não caberia ao ministro Nunes Marques ordenar essa mudança.

O magistrado solicitou aos TREs que orientem as respectivas zonas eleitorais para divulgação ampla das alterações para manter o eleitorado informado e evitar deslocamentos errados no dia da eleição.

Em nota conjunta publicada nesta segunda (19), os presidentes dos tribunais regionais eleitorais afirmaram que as mudanças foram motivadas por situações extraordinárias, como eventos climáticos extremos, problemas na infraestrutura ou riscos à segurança do eleitor.

Eleições 2026Checagem
Mendonça não alterou locais de votação em reduto lulista no Rio

6. Essas mudanças são inéditas?

A base de dados da Justiça Eleitoral aponta que 5.822 seções foram alteradas em 2022 e 2.387 em 2018. Não fica claro, porém, se esse número corresponde apenas aos locais que mudaram entre o primeiro e o segundo turno ou se inclui todas as seções alteradas naqueles pleitos.

Aos Fatos entrou em contato com o TSE para tentar sanar essa dúvida, mas o tribunal não respondeu até a publicação desta reportagem.

Registros divulgados na imprensa, no entanto, atestam que houve alterações entre os turnos em eleições presidenciais passadas. Em 2022, por exemplo, sete estados tiveram mudanças em locais de votação. Só em Pernambuco, 53 seções foram alteradas. Em 2018, também foram noticiadas mudanças no Pará.

A diretriz geral é que os TREs não alterem o local de votação entre os turnos, mas isso nem sempre é possível, de acordo com a Justiça Eleitoral.

7. Como posso conferir se minha seção mudou?

A orientação do TSE é que todo eleitor verifique previamente seu local de votação no site do próprio tribunal ou no aplicativo e-Título. Para verificar a seção por meio do aplicativo, siga os seguintes passos:

  • Faça seu login;
  • Clique em “Onde Votar”, na parte inferior.
A imagem exibe a tela de um smartphone reproduzindo a interface do aplicativo 'e-Título'. A parte superior possui fundo azul escuro com o brasão do Brasil e os dizeres 'REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL' e 'JUSTIÇA ELEITORAL'. No centro, sobre fundo branco, apresenta-se um quadro com a silhueta cinza de um busto humano, seguido por informações eleitorais fictícias preenchidas com sequências de letras 'X' e números zero, abrangendo nome, número do documento, data de nascimento, zona, seção, município e filiação. Na margem inferior, uma barra de navegação contém quatro ícones, e um círculo vermelho traçado digitalmente destaca a segunda opção, representada por um pino de localização com a inscrição 'Onde Votar'.
Utilize o aplicativo da Justiça Eleitoral para conferir seu local de votação (Reprodução)
  • Confira o endereço de sua seção.

Para quem prefere fazer a consulta pelo site do TSE, basta seguir os passos abaixo:

A imagem mostra uma captura de tela do site de autoatendimento eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na parte superior, há uma faixa azul-escura com detalhes em amarelo, azul-claro e cinza, com o texto 'AUTOATENDIMENTO ELEITORAL' e um botão verde com a inscrição 'TÍTULO NET'. Abaixo, aparece uma barra de pesquisa com o texto 'Busque um serviço'. Na parte inferior, os serviços estão organizados em três colunas: 'Consultas', 'Eleitora/Eleitor' e 'Certidões'. Na coluna 'Consultas', aparecem as opções 'Onde votar', 'Número do título', 'Situação do título', 'Emitir 2ª via do título eleitoral' e 'Débitos eleitorais'. A opção 'Onde votar' está destacada por um retângulo vermelho.
Consulta também pode ser feita no site do tribunal (Reprodução/TSE)
  • Informe seu CPF ou número do título de eleitor, data de nascimento e nome completo da mãe.
  • Confira o endereço do local de votação, a zona e a seção eleitoral indicados pelo sistema.

O local pode ser alterado até o dia da votação. Por isso, não deixe de verificar o endereço antes de ir votar no próximo domingo (25).

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou as notas publicadas pelo TSE sobre o assunto, bem como o posicionamento conjunto dos TREs e a legislação eleitoral. Também entramos em contato com o advogado Ruy Fonsatti Júnior para tirar dúvidas sobre o caso.

Fonte: Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

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