Entidades criticam Flávio Bolsonaro por promessa de acabar com ‘entraves ambientais’
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – Entidades ambientalistas criticaram, nesta terça-feira (20), declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, sobre a intenção de eliminar restrições ambientais para permitir que produtores rurais tenham ‘liberdade’ para explorar suas propriedades.
Segundo o g1, a declaração foi feita na segunda-feira (19), durante um ato de campanha em Marabá (PA). Em compromissos no Pará e no Amazonas, Flávio busca ampliar sua votação em relação ao primeiro turno.
“Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu e a sua terra vai ser sua pessoa no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra, e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem, ambientais, e principalmente por causa de razões ideológicas, a gente vai acabar”, disse o senador.
O Instituto Socioambiental (ISA) classificou a declaração como “o discurso mais atrasado” sobre a Amazônia. Para a organização, a fala trata a floresta como uma área disponível para o desmatamento em nome da expansão da produção agropecuária.
“Desconsidera tudo que a ciência e a experiência dos povos e comunidades tradicionais já comprovaram. O valor da Amazônia está na floresta em pé e nos serviços ambientais que ela presta. No contexto das mudanças climáticas, a Amazônia é única no mundo, e tratá-la como uma área qualquer a ser ocupada em um modelo predatório e de baixa inovação é voltar à década de 1970, conhecida como a década da destruição”, afirmou o ISA.
Greenpeace critica classificação de regras ambientais como ideologia
Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, também contestou a posição do candidato. Segundo ela, a proteção ambiental não deve ser tratada como uma questão ideológica ou oportunista, uma vez que seus efeitos atingem toda a sociedade.
“Recentemente, celebramos a menor taxa de desmatamento na Amazônia desde o início da série histórica, em 1988. Estes bons resultados na queda do desmatamento, vistos desde 2023, estão ameaçados pela eleição de um negacionista que vê o meio ambiente como ideologia”, afirmou Cristiane.
A representante do Greenpeace acrescentou que as normas ambientais garantem direitos coletivos e protegem os ecossistemas de danos permanentes.
“Proteções ambientais não são ‘entraves’. O que o candidato Flávio Bolsonaro vê como ‘entrave’ é, na prática, a garantia do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações […] e a proteção contra danos irreversíveis ao clima, à biodiversidade e à natureza”, emendou.
Declaração remete à política ambiental de Jair Bolsonaro
As críticas também recuperaram o episódio em que Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2023), defendeu o aproveitamento da atenção pública voltada à pandemia de Covid-19 para flexibilizar normas ambientais.
Em uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, Salles sugeriu que o governo aproveitasse o momento para passar a “boiada” na regulamentação ambiental, expressão que se tornou associada à tentativa de reduzir restrições nessa área.
Ao comentar a fala de Flávio, Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, avaliou que a proposta representa o risco de retorno à política ambiental adotada pelo governo de Jair Bolsonaro.
“É o risco de voltarmos aos tempos do governo Bolsonaro, os mais sombrios da história para a agenda ambiental, onde a proteção ao meio ambiente era tratada como inimiga e o desmatamento era política de governo”, declarou Astrini.
Fonte: Brasil 247