Toques de recolher, atrações e lojas fechadas: como a onda de protestos na Europa já afeta o turismo

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Por Sara Magalhães — Seu Dinheiro

França, Itália, Espanha, Portugal, Bélgica e Albânia enfrentam uma onda de protestos liderados, em sua maioria, por jovens da geração Z, que reivindicam medidas para conter o alto custo de vida, melhorar os salários e reverter a deterioração dos serviços públicos.

A situação se agravou no último fim de semana, especialmente na França. No sábado (17), manifestações terminaram em episódios de violência em diversas cidades, incluindo Paris, um dos destinos turísticos mais visitados do mundo.

Nesta semana, inclusive, um vídeo de um casal aproveitando drinque na área externa de um café em meio ao fogo de protestos em Paris chamou a atenção nas redes sociais. Governos da Europa e da Ásia, incluindo a China, já aconselharam na segunda-feira (19) cidadãos que viajam para a França a evitar grandes multidões e a terem cautela. Mas o país não é o único afetado.

Os efeitos destes protestos já começam a afetar o turismo em toda a Europa, que precisou adotar medidas para frear a onda de protestos. Se você tem uma viagem marcada para algum destes países, espere encontrar algumas atrações fechadas, lojas de luxo com as portas bloqueadas com madeiras, atrações turísticas e museus inoperantes e até toques de recolher durante a noite.

Veja abaixo um panorama da situação do turismo durante a onda de protestos na Europa:

França: toques de recolher e Louvre fechado

A França concentra os episódios mais graves de violência registrados no último fim de semana. Os protestos reuniram mais de 500 mil pessoas em todo o país. Os confrontos, saques e atos de vandalismo levaram as autoridades a reforçar o policiamento e a adotar medidas para conter novos episódios de violência.

Na segunda-feira (19), o governo anunciou restrições à circulação em diferentes cidades. Em Paris, a polícia determinou um toque de recolher noturno em duas áreas da capital: a Place de la République e o entorno de Les Halles. A medida entrou em vigor às 23h de segunda-feira e seguiu até as 6h de terça-feira (20), no horário local. Além de Paris, Lille, Douai, Wattignies e Denais também adotaram restrições, com regras e horários específicos.

O impacto sobre o turismo, inclusive, já apareceu em um dos principais cartões-postais da capital francesa. O Louvre permaneceu fechado na manhã de segunda-feira (19) após estudantes bloquearem o acesso ao museu de Paris. “Não nos assista, junte-se a nós!”, era o slogan entoado por estudantes da École du Louvre reunidos em frente a uma das entradas do famoso museu.

Jovens protestam em frente ao Museu do Louvre, em Paris
Jovens protestam em frente ao Museu do Louvre, em Paris – Imagem: Remon Haazen/Getty Images

Itália: lojas fechadas e reforço policial em Milão

No sábado (17), uma manifestação no centro de Milão terminou em violência, com manifestantes lançando pedras e blocos de pavimentação contra policiais e incendiando barricadas.

No dia seguinte, a Catedral de Milão encerrou as atividades mais cedo. Já na segunda-feira (19), o centro da cidade amanheceu com forte presença policial, enquanto comerciantes avaliavam os danos e se preparavam para possíveis novos episódios de tumulto.

Diversas lojas de rua e estabelecimentos instalados em galerias comerciais fecharam as portas após os confrontos. Na Galleria Vittorio Emanuele II, por exemplo, um dos endereços mais conhecidos de Milão para compras de luxo, turistas encontraram lojas protegidas por estruturas de madeira e estabelecimentos temporariamente fechados.

A mobilização também deve continuar nas próximas semanas. A principal central sindical italiana convocou uma greve geral para 20 de novembro, o que poderá provocar novas interrupções em serviços e transportes.

Policiais com capacetes azuis e escudos transparentes com a palavra POLIZIA em uma praça iluminada à noite.
Policiais italianos formam barreira com escudos em frente ao Duomo di Milano – Imagem: Adam Berry/Getty Images

Espanha: crise habitacional leva manifestantes à Madri

Na Espanha, protestos contra a habitação começaram em setembro após uma mulher de 87 anos, Maricarmen Abascal, ser despejada após um aumento de 230% no aluguel por um fundo de investimento. Ela faleceu quinze dias depois.

O aumento dos aluguéis e a dificuldade de encontrar imóveis a preços acessíveis alimentam a insatisfação de moradores, sobretudo nas grandes cidades. Em Madri, por exemplo, manifestantes montaram acampamentos na Puerta del Sol, uma das praças mais movimentadas da capital, para pressionar as autoridades a adotar medidas que facilitem o acesso à moradia.

O movimento começou no fim de setembro e se espalhou por outras cidades espanholas. Agora, sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral para 11 de novembro, com reivindicações relacionadas à crise habitacional.

Multidão ocupa uma avenida entre prédios altos, com faixas e cartazes durante uma manifestação.
Multidão em protesto ocupa Gran Via, em Madri – Imagem: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

Portugal: protestos por moradia e desocupação de acampamentos

Em Portugal, milhares de pessoas foram às ruas no sábado (17) para reivindicar melhores salários, pensões e condições de acesso à moradia. Os manifestantes também criticaram a alta do custo de vida e as mudanças propostas pelo governo nas regras de despejo de inquilinos.

Lisboa e Porto, por exemplo, concentraram parte importante das mobilizações. Na capital, manifestantes montaram centenas de barracas na Praça do Rossio, no centro histórico. No Porto, ativistas ocuparam a Praça Dom João I, em uma mobilização que já dura cerca de dez dias.

Na terça-feira (20), porém, a polícia desocupou os acampamentos nas duas cidades. Em Lisboa, a operação terminou com a detenção de 55 ativistas, segundo a Reuters. Assim como na Espanha, Portugal também tem uma nova mobilização geral prevista para 11 de novembro.

Multidão participa de protesto em rua estreita, com bandeiras coloridas e faixas pedindo mais salário e melhores pensões.
Protestantes caminham do Cais do Sodré ao Rossio, em Lisboa – Imagem: Horacio Villalobos/Getty Images

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Fonte: Seu Dinheiro

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