Randolfe denuncia Flávio Bolsonaro por pedido de R$ 134 milhões a Vorcaro e pede cassação

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), prepara uma denúncia contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Conselho de Ética do Senado, com pedido de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. A representação tem como principal fundamento a acusação de que o candidato à Presidência teria utilizado sua posição política para solicitar R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, além de ter recebido benefícios econômicos de pessoas ligadas ao empresário.

Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, Randolfe está reunindo assinaturas de outros parlamentares para fortalecer a iniciativa. A denúncia também questiona a relação entre Flávio e Vorcaro, especialmente o suposto uso de uma aeronave particular e de imóveis vinculados a pessoas próximas ao ex-banqueiro, sem pagamento pelos serviços ou pelas acomodações.

O episódio central da representação envolve um pedido de R$ 134 milhões que Flávio teria encaminhado a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Randolfe sustenta que a solicitação não pode ser tratada simplesmente como uma negociação privada de patrocínio, considerando a condição de senador de Flávio e as circunstâncias envolvendo o Banco Master.

De acordo com o requerimento, a cobrança dos recursos teria ocorrido entre o fim de 2024 e o fim de 2025, período que antecedeu a prisão de Vorcaro. O líder governista afirma ainda que Flávio já tinha conhecimento da situação enfrentada pelo banco quando solicitou os valores ao empresário.

A representação argumenta que os episódios precisam ser investigados pelo Conselho de Ética porque teriam ocorrido durante o exercício do mandato parlamentar. Randolfe também aponta que os fatos são objeto de investigação formal da Polícia Federal.

“Os benefícios são vantagens de valor econômico evidente, percebidas diretamente pelo denunciado, e provêm de estruturas vinculadas ao mesmo grupo. Ainda que o intermediário formal seja amigo pessoal, cabe a este Conselho apurar a origem real dessas liberalidades”, afirma Randolfe no documento, conforme a Folha.

A declaração indica que o líder governista pretende questionar não apenas o recebimento dos supostos benefícios, mas também a origem dos recursos e a eventual participação de estruturas empresariais relacionadas a Vorcaro.

Na avaliação apresentada por Randolfe, a existência de vínculos pessoais entre Flávio e pessoas próximas ao ex-banqueiro não seria suficiente para afastar a necessidade de apuração. O parlamentar defende que o Conselho de Ética examine se as vantagens econômicas mencionadas na representação são compatíveis com as obrigações e os limites impostos a integrantes do Senado.

Conselho de Ética permanece sem funcionamento

Apesar da iniciativa, a denúncia enfrenta um obstáculo institucional: o Conselho de Ética do Senado não foi instalado na atual legislatura, o que impede o andamento regular de processos disciplinares no colegiado.

A paralisação é objeto de um mandado de segurança apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O processo está sob análise da ministra Cármen Lúcia e busca a retomada das atividades do órgão responsável por examinar acusações de quebra de decoro parlamentar.

A ausência de funcionamento do conselho representa um entrave para a representação contra Flávio Bolsonaro, uma vez que a análise de eventuais infrações éticas depende da atuação do colegiado e dos procedimentos previstos no regimento do Senado.

Caso a denúncia avance, o pedido de perda do mandato deverá passar pelas etapas institucionais cabíveis. A apresentação da representação, por si só, não implica cassação nem comprova as acusações formuladas pelo líder governista.

Relação com Vorcaro amplia questionamentos sobre Flávio Bolsonaro

A iniciativa de Randolfe acrescenta uma dimensão parlamentar às suspeitas envolvendo as relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Além do pedido milionário relacionado à produção cinematográfica, a denúncia reúne alegações sobre benefícios materiais que teriam sido disponibilizados ao senador durante o exercício do mandato.

O líder governista sustenta que a combinação desses episódios exige uma investigação sobre possível utilização do cargo público para obtenção de vantagens privadas. O argumento central é que o relacionamento pessoal com o ex-banqueiro não elimina a necessidade de esclarecer a natureza das transações e dos benefícios mencionados.

Fonte: Brasil 247

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