Para zerar desmatamento na Amazônia é preciso ‘mudar a lógica econômica da região’, diz especialista

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Por Afonso Bezerra — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

A Amazônia e o Cerrado registraram quedas de 41,8% e 23,8% no desmatamento, respectivamente, entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É a maior queda da série histórica iniciada em 1988.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se comprometeu a zerar o desmatamento na Amazônia até 2030 e tem trilhado um caminho eficiente para isso, avalia Cláudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima. Ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, ele afirmou que os resultados da política de controle de desmatamento têm sido muito positivos, especialmente quando o Ibama pode trabalhar e o governo almeja atingir este patamar.

“As coisas acontecem com o uso de políticas públicas, de inteligência no campo, de tecnologia de sensoriamento remoto, porque você hoje consegue enxergar o desmatamento por satélite; o Ibama já sabe, cruzando com as bases de dados, como o Cadastro Ambiental Rural, se aquele desmatamento é legal ou ilegal, e ele embarga aquela área. Portanto, mexe no bolso do desmatador e isso funciona como uma dissuasão”, explica.

Angelo argumenta que, no contexto específico da Amazônia, seria necessário mudar a lógica econômica da região, que hoje ainda “vive basicamente de repasse federal, de carne e de soja”. Ou seja, ainda é uma economia muito baseada no extrativismo predatório, segundo o especialista. “No caso da agropecuária, é uma economia baseada em ocupação de áreas que antes tinham floresta, portanto, que exige a remoção da floresta. Essa lógica ainda não foi substituída na Amazônia”, aponta.

Para que isso ocorra, de acordo com o coordenador, é necessário investir em processos sustentáveis. “Até para mineração, embora eu particularmente não gostaria de ver, há áreas já degradadas onde seria possível realizar atividade de mineração. A gente pode fazer madeira de um jeito bastante sustentável; a gente pode explorar, por exemplo, produtos da sociobiodiversidade, cadeias produtivas como a do açaí, que em alguns lugares da Amazônia rendem mais do que soja”, cita.

Angelo observa que falta aos governos, de forma geral, pensar em um modelo de desenvolvimento para a Amazônia. “A gente sempre olha para a Amazônia como uma espécie de poupancinha do país. Está precisando de energia hidrelétrica? Vamos lá, a gente tira da Amazônia. Está precisando de terras agricultáveis? Vamos lá, a gente cata na Amazônia. É sempre um lugar que a gente explora”, afirma. “É preciso um pensamento estratégico que considere as pessoas da Amazônia.”

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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