Mabel dá prazo a dono do prédio Redondo da Araguaia e ameaça demolir imóvel abandonado há décadas em Goiânia
Por João Reynol — Jornal Opção

O edifício conhecido como “Redondo da Araguaia”, localizado no Setor Central, em Goiânia, deverá ser transformado em um empreendimento de apartamentos voltados para locação por aplicativo. Segundo o prefeito Sandro Mabel (UB), caso os proprietários não deem uma destinação ao imóvel dentro do prazo a ser estabelecido pela Prefeitura, a estrutura poderá ser demolida.
Os atuais proprietários adquiriram o prédio há pouco mais de um ano e elaboraram, junto a um arquiteto, o projeto de readequação da estrutura. A proposta ainda precisa ser apresentada ao Município para aprovação.
Além do Redondo da Araguaia, Mabel destacou outros imóveis abandonados no Setor Central que podem receber tratamento semelhante, como um antigo mercado localizado atrás do Parthenon Center e a antiga casa da mãe de Pedro Ludovico Teixeira. Os imóveis fazem parte de um levantamento conduzido pela Prefeitura para identificar construções sem uso na região.
Precisamos dar uma solução para esses prédios. Então, estamos apressando isso daqui”, afirmou.

Construído originalmente para abrigar consultórios médicos, o Redondo da Araguaia está abandonado há décadas e é apenas um de uma série de edifícios sem destinação na região central de Goiânia. Segundo Mabel, um laudo realizado no imóvel apontou que a estrutura permanece em boas condições, diferentemente de outros prédios que podem precisar ser demolidos.
A iniciativa integra as ações relacionadas ao programa Morar no Centro, que pretende levar cerca de 3 mil famílias para residir na região central. Por isso, o prefeito afirma que existe a necessidade de recuperar a infraestrutura e ampliar a segurança no setor. “O Morar no Centro, que é o programa que nós estamos fazendo, vai começar a trazer uma população grande para o Centro. São 3 mil famílias que virão para cá. Preciso encontrar o Centro em condições melhores do que ele está hoje”, afirmou.
A data exata da venda do Redondo da Araguaia, assim como o nome da empresa ou do grupo responsável pelo imóvel, não foram revelados pelo prefeito. Segundo ele, um estudo arquitetônico está sendo elaborado e, após a apresentação do projeto à Prefeitura, a expectativa é de que a análise seja concluída em menos de 90 dias.
Não pode um prédio desses ficar 40 anos desse jeito e criando o tamanho do problema que nós temos aqui. Virou um hotel de moradores de rua”, declarou Mabel.
Como primeira intervenção, os proprietários iniciaram trabalhos para substituir as estruturas provisórias de isolamento por um muro, portão e equipamentos de segurança, com o objetivo de impedir novas invasões. A Prefeitura também realizou anteriormente a retirada de pessoas que ocupavam o imóvel.

Segundo a empresária e moradora da região Silvia Cristina, o prédio abandonado havia se tornado uma “boca de fumo” e foco frequente de ocorrências policiais há mais de um ano. Um dia antes do início das obras de readequação, na segunda-feira, 19, um homem foi vítima de uma facada nas proximidades. “O pessoal esfaqueou o rapaz aqui e depois foi e entrou na minha empresa, que também fica aqui no Centro, e pediu água. Eles estavam vendendo paçoca na sexta-feira, inclusive”, relatou.

A tenente Lara Cristina, da Polícia Militar de Goiás (PMGO), informou que a corporação intensificou o policiamento ostensivo e realizou operações de saturação no entorno do edifício. Segundo ela, porém, uma solução duradoura para as ocupações irregulares depende também do fechamento e da destinação dos imóveis pelos proprietários, evitando que os suspeitos retornem após as ações policiais.
Esses indivíduos correm daqui, mas depois a gente tem que fazer sempre esse policiamento, mantendo a segurança do local para que eles não retornem”, afirmou.
Apesar das ocorrências registradas na região, Silvia acredita que a desocupação do prédio e a construção do muro podem contribuir para melhorar a segurança no entorno. “Agora creio que o Centro, futuramente, vai voltar a ser um setor muito bom. Tenho essa impressão, fé nisso”, disse.
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Fonte: Jornal Opção