Nova investigação contra Flávio pode ser estratégica para sobrevivência de Moraes no STF

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Por Flávia Maia — JOTA

O comando da nova investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem o condão de renovar o fôlego do ministro Alexandre de Moraes na busca por seu futuro dentro do Supremo Tribunal Federal — seja por meio de contra-ataques ao bolsonarismo ou em negociações políticas para a sua permanência no cargo. 

Com a cabeça a prêmio após a nova composição do Senado a partir de 2027, o ministro tem começado as articulações para tentar se salvar dos pedidos de impeachment . Interlocutores próximos apontam que Moraes ficou preocupado com a guinada da extrema direita. 

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O inquérito contra Flávio chegou ao STF no dia 8 de outubro e foi distribuído por meio de sorteio no dia 16. Caberá a Moraes apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio, o advogado Willer Tomaz, entre outros nomes do PL, como o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem.

O caso estava na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul e chegou ao STF após a PF quebrar o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrar e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz. A PF apura crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e a utilização de casas de apostas no suposto esquema.

A nova investigação chega após Moraes perder a relatoria do inquérito das fake news, principal instrumento usado pelo ministro para investigar bolsonaristas. O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu o comando e tem anunciado que deve encerrar o inquérito assim que possível. A medida se deu após Moraes apresentar um relatório da Polícia Federal contra André Mendonça por meio dessa investigação. 

Não é a primeira vez que um pedido de investigação contra Flávio chega às mãos de Moraes. Em junho, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma notícia-crime para que o candidato do PL fosse investigado pelo financiamento do filme Dark Horse no inquérito que investigava a coação de autoridades brasileiras por atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar tentou que Moraes ficasse com a investigação, mas por ter mais proximidade com o inquérito do Master, essa investigação ficou com André Mendonça.

Mesmo sem o inquérito das fake news, Moraes ainda tem em mãos importantes investigações que podem comprometer muita gente. Agora, o acervo cresce com mais uma nova investigação contra Flávio. 

Moraes comanda as investigações das milícias digitais, a apuração contra servidores da Receita Federal e do Coaf e, como relator tampão da ADPF das Favelas, o ministro também está investigando as milícias no Rio de Janeiro e suas teias dentro do poder público — as operações têm tido alvos próximos a Flávio, como o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) e Cláudio Castro.

O ministro ainda tem sob sua responsabilidade a execução penal do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe, e mantém o controle da agenda do ex-presidente – tanto que manteve Flávio afastado de Jair boa parte do período eleitoral. 

Contudo, neste caso, a defesa de Bolsonaro procura um antídoto e já entrou com a revisão criminal do ex-presidente, cujo relator é Kassio Nunes Marques, que vem dando sinais de fidelidade à família. O magistrado tem dito a interlocutores que deve analisar o tema após as eleições. Por mais que Kassio defenda a análise do caso em plenário, não está descartada a hipótese de uma liminar para liberar Jair. 

Moraes sabe que qualquer passo será definitivo para se manter na cadeira do STF. Nas conversas que tem tido com ministros, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, tem dado sinais que o bolsonarismo não quer implodir o Supremo, mas não abre mão do impeachment de Moraes. 

Enquanto isso, desde as eleições, Moraes tem dado sinais trocados quanto ao bolsonarismo. Ao mesmo tempo que permitiu a Flávio a retomada das visitas ao pai e autorizou o semiaberto para Débora do Batom, também mandou executar a pena de Eduardo Bolsonaro. Assim, não está evidente, nesse primeiro momento, qual a mensagem que o ministro quer fazer ao grupo político. 

A certeza de Moraes é que ele é o alvo do Congresso de 2027 e qualquer informação vale ouro para tentar impedir ou retardar processos de impeachment contra ele. Por isso, um novo inquérito contra Flávio veio a calhar.

Fonte: JOTA

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