JOTA Principal | Campanhas de Lula e Flávio dobram apostas eleitorais nos últimos dias de campanha

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Por Felipe Seligman — JOTA

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Na última semana antes da rodada final da disputa à Presidência da República, o governo Lula antecipou os pagamentos para todos os beneficiários do Bolsa Família, que receberão antes de ir às urnas.

Criado no primeiro mandato do petista, o programa social foi atacado por adversários durante anos — até que, nos ciclos eleitorais mais recentes, passou a ser uma unanimidade mesmo entre opositores do PT.

Daí por que a campanha de Flávio Bolsonaro se apressou a explicar, ontem (19), o que a assessora econômica Daniella Marques disse em entrevista sobre uma “regra de transição” para a saída de beneficiários. Segundo a campanha do PL, Marques teria apenas reafirmado a proposta de ampliar a regra de proteção para quem ultrapassa a renda permitida.

Nesses últimos dias, as campanhas apostam suas fichas derradeiras nas ruas e nas redes.

Paula Bonelli colaborou nesta edição.

Boa leitura.

O PONTO CENTRAL

1. Pescoço a pescoço

Na reta final da eleição, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificam a mobilização do eleitorado e apostam em estratégias distintas para conquistar os votos que faltam para a vitória definitiva, Fabio MuraKawa e Marianna Holanda analisam no JOTA PRO Poder.

  • Com vários institutos apontando empate técnico, há pouca margem para erro de ambos os lados…
  • …e a sensação é de que a disputa chegará indefinida até a véspera da votação, no domingo (25).

🔭 Panorama: Apesar da recente recuperação de Lula nas pesquisas, Flávio segue com um leve favoritismo — algo admitido até entre aliados do petista.

  • Auxiliares de Lula ainda veem um caminho difícil para a virada, e o presidente concentra esforços no Sudeste e no Nordeste, enquanto tenta ampliar o desgaste do adversário.
  • Sua campanha torce ainda pela recuperação de André Janones, fundamental para as redes sociais, mas que foi internado com arritmia cardíaca após o debate da Band.
  • O deputado voltou a postar no grupo ontem (19) à noite. Leia mais.

Lula conseguiu um feito que poucos na própria campanha imaginavam possível após o primeiro turno: chegar competitivo à semana final.

  • O abatimento inicial deu lugar à esperança de uma vitória, com grande mobilização nas ruas e uma reestruturação nas redes, embora ainda acompanhada de muito ceticismo quanto às chances de recuperação.
  • A avaliação interna é de que a disputa será decidida por margem estreita.
  • Fontes ligadas ao mercado consideram fundamental que Lula ultrapasse Flávio nas pesquisas Datafolha e Quaest até quinta (22), véspera do debate da Globo.

O PT seguirá apostando na mobilização das ruas e das redes, mas também no desgaste de Flávio.

  • A campanha identificou um universo muito pequeno de indecisos e tenta entender de onde vêm os votos que Lula ganhou nas últimas pesquisas.
  • Uma preocupação é que parte do crescimento corresponda a eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno e cuja participação agora é incerta.

Já Flávio mantém o otimismo, busca resistir ao contra-ataque petista e tenta reforçar o sentimento de mudança.

  • A estratégia é ampliar os chamados “bloquinhos” de apoiadores nos grandes colégios eleitorais e nos estados sem segundo turno para governador, onde há receio de uma abstenção elevada.
  • Um dos desafios desta semana será responder às ofensivas petistas sobre o risco à continuidade de políticas públicas, que, segundo interlocutores, têm surtido efeito entre os eleitores mais pobres. Leia mais na nota 4.

A preocupação com a abstenção também orienta a agenda do senador.

  • Ele visitará estados onde a disputa pelo governo já terminou e grandes colégios eleitorais em que pretende preservar sua vantagem sobre Lula.
  • A programação prevê Goiás hoje (20); São Paulo e Ceará amanhã (21); e Minas Gerais e Rio de Janeiro na sexta (23) e no sábado (24).
  • Flávio conseguiu unificar a base bolsonarista e fez de Nikolas Ferreira um dos principais cabos eleitorais da reta final. Leia mais na nota 3.

UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL)

Lideranças debatem inovação, descarbonização e competitividade da indústria

Crédito: Leudo Lima/CNI

A inteligência artificial, o avanço da descarbonização e da transição energética ganharam destaque pelas oportunidades que oferecem para elevar a produtividade, aumentar a eficiência operacional e conquistar novos mercados. O tema foi debatido no VII Encontro Nacional de Jovens Industriais (Enaji), em Natal (RN).

A competitividade industrial, a modernização dos processos produtivos e o desenvolvimento de competências de gestão também estiveram entre os assuntos tratados por empresários e executivos da indústria brasileira. No comércio exterior, o foco esteve nos desafios para atender às exigências internacionais, diversificar os mercados de destino e ampliar as exportações brasileiras.

A programação incluiu palestras, mesas-redondas e visitas técnicas a dez indústrias potiguares. Em 2027, o evento passará a se chamar Encontro Nacional das Novas Lideranças Industriais e será realizado em Cuiabá (MT).

2. Sem acordo

Os ministros do TSE em sessão na semana passada / Crédito: Antonio Augusto/TSE

As campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula intensificaram a judicialização nos últimos dias de campanha em meio a uma tentativa de distensão capitaneada pelo ministro Nunes Marques, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.

💥 Panorama: As coligações de Flávio e Lula ajuizaram 128 novas ações apenas nos três dias subsequentes à reunião do ministro com as campanhas — sendo 32 apenas na última sexta (16), segundo a Justiça Eleitoral.

  • Em toda a campanha de 2022 foram 613 processos.
  • Em 2026, de 20 de julho até 16 de outubro, já são 1.071.

Não deve haver acordo entre as campanhas nessa busca por apaziguamento, segundo fontes ouvidas pelo JOTA .

  • Em vídeo enviado em primeira mão ao JOTA , o presidente do TSE, Nunes Marques, diz que nos 12 dias após o 1º turno, os quatro ministros responsáveis por propaganda proferiram 221 decisões.
  • “É direito dos candidatos buscarem a Justiça Eleitoral para que a disputa seja regulada igualitariamente de forma isenta”, ele afirma.
  • “É direito do eleitor e da eleitora escolher livremente, o que não é direito é acusar a Justiça Eleitoral de morosidade na execução dos trabalhos.”

3. Aliás…

Pablo Marçal no ato de apoio a Flávio Bolsonaro na avenida Paulista, no último domingo (18/10) / Crédito: Leandro Chemalle/The News 2/Estadão Conteúdo

O Tribunal Superior Eleitoral proibiu a Meta e o X de dar tratamento privilegiado às contas de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal até o final do segundo turno, Flávia Maia registra no JOTA .

  • A medida foi assinada ontem (19) pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva em ação proposta pela coligação de Lula.

🔭 Panorama: O tribunal determinou que as redes proíbam impulsionamento pago, alterações no algoritmo para dar mais alcance e listas especiais que promovam conteúdos político-eleitorais publicados por ambos em seus perfis.

  • O alcance orgânico das publicações continua liberado, mas as redes vão ter 24 horas para explicar como os algoritmos delas funcionam e ainda precisam guardar todos os dados de engajamento dessas contas desde agosto.
  • Além disso, Nikolas e Marçal não podem republicar nenhum conteúdo que a Justiça Eleitoral já mandou tirar do ar por ser desinformativo, como o vídeo das crianças contra o Lula e a fala descontextualizada sobre câncer de próstata.

4. ‘Regra de transição’

Daniella Marques em evento de campanha de Flávio na semana passada / Crédito: Yuri Murakami/2.8 News/Estadão Conteúdo

Enquanto o governo Lula antecipou todos os pagamentos do Bolsa Família para antes do segundo turno, declarações de Daniella Marques sobre os planos para o programa social geraram ruído na campanha de Flávio Bolsonaro, Fábio Pupo escreve no JOTA .

  • Em entrevista à CBN Bahia, ontem (19), a assessora econômica disse que haverá um período de dois anos para o beneficiário abrir um negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada.
  • “Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar emprego de carteira assinada, com uma regra de transição por dois anos e o retorno automático caso dê errado”, explicou Marques.
  • “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é um início de uma jornada.”

Por que importa: A campanha teve que entrar em campo para desmentir as interpretações sobre a fala, que estão sendo exploradas por Lula e pelo PT na reta final da corrida presidencial.

  • De acordo com representantes da campanha, Marques teria apenas reafirmado uma proposta já feita pela campanha de Flávio — ampliar a regra de proteção existente para quem ultrapassa a renda permitida pelo programa: de 18 meses para 24 meses.
  • Segundo os representantes do time, não há desligamento.
  • O PT publicou nas redes: “URGENTE! Assessora econômica de Flávio admite que pretende desligar beneficiários do Bolsa Família por dois anos”, e o perfil de Lula repostou.

5. Informação privilegiada

O advogado Willer Tomaz / Crédito: Divulgação/Willer Tomaz Advogados Associados

O Superior Tribunal de Justiça afastou dois servidores por suspeita de vazar informações sigilosas e minutas de decisões ao advogado Willer Tomaz para beneficiar Flávio Bolsonaro, Lucas Mendes escreve no JOTA .

🔭 Panorama: A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o secretário de TI do STJ, em Brasília, ontem (19), suspeito de repassar minutas de decisões sigilosas ao advogado Willer Tomaz.

  • O presidente da Corte, ministro Luis Felipe Salomão, exonerou o servidor.
  • O caso veio à tona após a perícia no celular de Tomaz.
  • Relatado pelo ministro Alexandre de Moraes no STF, apura corrupção, lavagem de dinheiro, peculato eletrônico e violação de sigilo.

6. Ecos

O então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, deixa a cabine de votação na eleição geral de 1962, a última antes do golpe militar / Crédito: Estadão Conteúdo – 7.out.1962

Figura central na história do Brasil do século 20, Carlos Lacerda fundou a conservadora Tribuna da Imprensa, governou o estado da Guanabara, foi o maior adversário de Getúlio Vargas — e manteve também uma profunda relação com o universo jurídico e seus atores.

  • Na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), nos anos 1930, ele começou na esquerda e fez amizade com futuros nomes de peso, como Evandro Lins e Silva, ministro do Supremo cassado pela ditadura militar.
  • A formação política de Lacerda e sua atuação até 1955, após o suicídio de Vargas, compõem o primeiro tomo da recém-lançada biografia “Lacerda — Coração de tempestade” (Cia. das Letras).
  • A sua relação com o Direito foi eclipsada pela fama do jornalista mordaz e do político impiedoso — segundo conta o autor, Mário Magalhães, em entrevista a Beto Bombig no JOTA .
  • “O Carlos Lacerda foi um homem que marcou por quatro, cinco décadas, intensamente, a vida do Brasil”, diz Magalhães.
  • “Os vários Carlos Lacerda da história ecoam ainda hoje.”

Fonte: JOTA

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