Comissão de 10% do Banco Master pode ter rendido R$ 188 milhões a políticos e intermediários

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O esquema de captação de recursos de fundos previdenciários estaduais e municipais pelo Banco Master pode ter movimentado pelo menos R$ 188 milhões em comissões destinadas a intermediários, incluindo agentes do mercado financeiro e políticos de diferentes partidos. O valor corresponde a 10% dos R$ 1,88 bilhão aplicados por regimes próprios de previdência em letras financeiras da instituição entre 2023 e 2024.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (20) pelo jornalista Thiago Herdy, do Metrópoles, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, durante sua tentativa de firmar um acordo de colaboração premiada, que intermediários recebiam uma comissão equivalente a 10% de cada operação envolvendo investimentos de fundos previdenciários no Master.

O percentual mencionado pelo ex-controlador do banco, aplicado ao volume de recursos identificado pelo Ministério da Previdência, resulta em uma estimativa de R$ 188 milhões em possíveis pagamentos. O montante, entretanto, depende da confirmação das declarações de Vorcaro e não representa, até o momento, um valor comprovadamente distribuído aos envolvidos.

De acordo com os dados oficiais, 21 regimes próprios de previdência de estados e municípios realizaram investimentos em letras financeiras do Master durante o período analisado. Esses recursos são destinados ao financiamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.

Conforme o relato atribuído a Vorcaro, as comissões eram direcionadas tanto a profissionais do mercado financeiro quanto a agentes políticos que teriam participado da intermediação das operações. Em determinados casos, os pagamentos teriam ocorrido em dinheiro vivo, segundo a reportagem.

Políticos são citados em relatos sobre pagamentos

Entre os nomes mencionados nas informações apresentadas pelo ex-banqueiro está o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Conforme revelou anteriormente a coluna de Thiago Herdy, Vorcaro apontou o dirigente partidário como um dos supostos beneficiários dos pagamentos relacionados às operações do Master.

Outros dois dirigentes políticos também foram associados às articulações em favor da instituição financeira. Segundo reportagem do UOL, ACM Neto e Antônio Rueda, ambos do União Brasil, teriam atuado junto a institutos de previdência para favorecer operações envolvendo o banco.

Os três políticos negam qualquer recebimento de recursos irregulares e contestam as declarações atribuídas a Vorcaro. Até o momento, as informações apresentadas não estabelecem que os dirigentes tenham efetivamente recebido os valores mencionados pelo ex-banqueiro.

As suspeitas ampliam o alcance político das investigações sobre o Banco Master, ao envolver possíveis pagamentos relacionados à aplicação de recursos públicos previdenciários em produtos financeiros da instituição.

Fundos de aposentadoria enfrentam risco de perdas

Um dos aspectos mais graves do caso é a origem dos recursos investidos no banco. Os regimes próprios de previdência social administram contribuições recolhidas de servidores públicos e dos governos estaduais e municipais, com a finalidade de assegurar o pagamento futuro de aposentadorias e pensões.

Entre 2023 e 2024, essas entidades direcionaram R$ 1,88 bilhão para letras financeiras emitidas pelo Master. Diferentemente de outros produtos bancários, essas aplicações não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Com a liquidação da instituição financeira, os regimes previdenciários passaram a integrar a relação de credores do banco, enfrentando perspectivas limitadas de recuperação integral dos valores aplicados.

A situação representa um risco para o patrimônio previdenciário de estados e municípios, uma vez que eventuais perdas podem comprometer o equilíbrio financeiro dos fundos responsáveis pelo pagamento dos benefícios aos servidores.

O episódio também coloca sob questionamento os mecanismos de avaliação de risco e os critérios utilizados para direcionar recursos previdenciários às letras financeiras do Master, especialmente diante das suspeitas de que intermediários teriam recebido comissões elevadas para viabilizar essas operações.

PF e PGR rejeitaram propostas de colaboração de Vorcaro

As declarações sobre o suposto pagamento de comissões foram apresentadas por Daniel Vorcaro no contexto de suas tentativas de negociar um acordo de colaboração premiada com as autoridades responsáveis pelas investigações.

O ex-banqueiro apresentou três propostas de colaboração, mas todas foram rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles, os órgãos investigadores identificaram omissões nos relatos de Vorcaro sobre fatos que já haviam sido descobertos durante as apurações. Essa avaliação impediu o avanço das negociações para a formalização de um acordo.

A rejeição das propostas não significa, por si só, que todas as informações apresentadas pelo ex-banqueiro sejam falsas, mas evidencia a necessidade de confirmação independente das acusações e dos valores mencionados.

Vorcaro permanece preso preventivamente desde 4 de março, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

O ex-controlador do Banco Master está detido na unidade conhecida como Papudinha, localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Os dirigentes políticos citados nas suspeitas envolvendo o Banco Master negam ter recebido pagamentos irregulares ou participado de qualquer esquema de comissões relacionado aos investimentos de fundos previdenciários.

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, e os dirigentes do União Brasil ACM Neto e Antônio Rueda contestam as acusações atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os três negam o relato apresentado pelo ex-controlador da instituição financeira.

As declarações de Vorcaro foram apresentadas durante tentativas de negociação de um acordo de colaboração premiada, que não chegou a ser firmado. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram três propostas do ex-banqueiro por identificarem omissões sobre fatos já conhecidos pelos investigadores.

Até o momento, as informações divulgadas não comprovam que os políticos mencionados tenham recebido parte dos R$ 188 milhões estimados em comissões. O montante resulta de um cálculo baseado no percentual de 10% relatado por Vorcaro, aplicado ao volume de investimentos dos fundos previdenciários no banco.

Em manifestações anteriores, Kassab classificou as acusações como “absolutamente fantasiosas” e afirmou: “Nunca fiz qualquer gestão em favor de fundo de previdência para o Master ou qualquer outra instituição financeira.”

ACM Neto sustenta que os pagamentos recebidos de sua consultoria corresponderam a serviços efetivamente prestados, com contratos, notas fiscais e recolhimento de impostos. Rueda, por sua vez, afirma que sua relação com o Master foi “eminentemente profissional” e também nega irregularidades.

Fonte: Brasil 247

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