A força social que derrotou a 6×1 superou o bolsonarismo nas ruas e pode derrotar Flávio Bolsonaro, Trump e conquistar direitos
Esquerda Diário

A menos de uma semana do segundo turno, vemos manifestações de milhares nas ruas, com extensão nacional. Expressa a força social que impôs a derrota da escala 6×1 no Congresso e pode derrotar Flávio Bolsonaro, Trump e conquistar mais direitos. No domingo, os atos de apoiadores de Lula e contra a extrema direita superaram as manifestações do bolsonarismo, expressando a disposição de jovens e trabalhadores para lutar ativamente contra tudo o que representam os capachos de Trump. Nesta nota, colhemos depoimentos de dirigentes e figuras públicas do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) sobre a situação nacional, os desafios da esquerda e quais são as batalhas que o MRT vem dando nessa conjuntura eleitoral para derrotar Flávio Bolsonaro, expulsar Trump da América Latina, por nenhum voto na extrema direita e para avançar na luta pelas demandas da classe trabalhadora, com uma mobilização anti-imperialista e independente da Frente Ampla.
Maíra Machado, coordenadora da Subsede da APEOESP (Sindicato de Professores) de Santo André (SP) e do grupo de mulheres Pão e Rosas, declarou: “assim como as centenas de manifestações que vêm cobrindo o país nas últimas semanas, com milhares nas ruas, nós encontramos enorme apoio popular em Santo André no último dia 15. Encontramos apoio aos professores que são atacados por Flávio Bolsonaro e essa extrema direita, assim como comemoração pela vitória histórica do fim da escala 6×1. Isso porque convocamos uma manifestação de Dia dos Professores contra Flávio Bolsonaro e a extrema direita capacho de Donald Trump, que trata os professores como seus inimigos. Lucas Pavanato nos chama de “vagabundos”, enquanto Eduarda Campopiano se coloca como anti-feminista, pregando a submissão das mulheres em um país em que mais de 50% dos lares são chefiados por nós. Vimos como Flávio Bolsonaro no debate não conseguiu responder por que votou contra mais tempo de licença-maternidade, sendo que viemos vendo ele fazer muito discurso hipócrita para as mulheres. Nossa categoria é majoritariamente feminina e somos parte dessa enorme linha de frente nacional das mulheres contra a extrema direita que nos tem como alvo. Em um estado governado por Tarcísio de Freitas, aqui estamos avançando na organização dos professores para lutar junto à APEOESP Santo André, com cada vez mais pessoas vendo que é a nossa luta independente e nossa auto-organização que podem derrotar verdadeiramente essa extrema direita, e professores de todo o estado têm nos buscado querendo também dar passos nesse sentido. Assim, estamos lado a lado a cada companheiro que vem tomando as ruas nas últimas semanas, que comemorou conosco a conquista histórica do fim da escala 6×1 e vem mostrando disposição para enfrentar a extrema direita. Por isso, sem nenhum apoio político à Frente Ampla, acompanhamos os trabalhadores e jovens que querem derrotar a extrema direita nas urnas e que vão votar em Lula.”
Marcello Pablito, diretor do SINTUSP (Sindicato de Trabalhadores da USP), representante dos trabalhadores no Conselho Universitário e dirigente do Quilombo Vermelho – Luta Negra Anticapitalista, declarou ao Esquerda Diário: “a conquista histórica do fim da escala 6×1, combinada aos maiores atos de rua conformados por setores progressistas desde as grandes jornadas de Junho de 2013, expressam a verdadeira correlação de forças em nosso país. Quando nos referimos ao fim da escala 6×1, estamos falando de uma vitória da nossa classe, que atinge sobretudo os negros e mulheres, como não se via em décadas. Nós estamos acostumados a ouvir dos setores que defendem a moderação que não há correlação de forças para enfrentar as reformas escravistas aprovadas com Temer e Bolsonaro, para lutar pelo fim da terceirização, para arrancar direitos. Na realidade, a classe trabalhadora brasileira impôs a aprovação de uma pauta ofensiva de redução da jornada de trabalho, pautou a política nacional e obrigou a que até mesmo a extrema direita escravista tivesse que votar a favor. Para isso, precisamos ir além com nossa luta e enfrentar toda precarização do trabalho para que não haja jornadas exaustivas para os trabalhadores informais, precarizados, terceirizados e sem direitos. Precisamos preparar a batalha para que o fim da 6×1 realmente seja implementado em cada local de trabalho, com nossos sindicatos organizando a nossa classe contra todas as manobras patronais que possam surgir e mais ainda se Flávio Bolsonaro se elege. Ao mesmo tempo, nós queremos que o fim da escala 6×1 seja para o conjunto da classe trabalhadora, o que exige lutar por todos os direitos aos entregadores e uberizados, pelo fim da terceirização, sem necessidade de concurso para quem já está trabalhando precarizado nos serviços públicos, que é uma grande maioria de mulheres negras, e pela revogação integral da Reforma Trabalhista e de todas as reformas dos últimos anos. É por isso também que sempre combatemos as pautas mais reacionárias da extrema-direita, como a redução da maioridade penal, que agora está sendo absorvida pela Frente Ampla como parte da política de conciliação de classes.”
Virgínia Guitzel, conhecida como Travesti Comunista nas redes e militante do Pão e Rosas, diz: “Se existe um contundente avanço da extrema direita no Senado, na Câmara, nos governos dos estados, que remetem ao chicote contra nós e fortalecem a transfobia, também temos de dizer que a correlação de forças não está definida só por isso. A nossa classe não está derrotada e tem forças para lutar, e vai precisar seguir se organizando para enfrentar essa extrema direita que já está arraigada ao regime político. Temos visto os atos do bolsonarismo, que têm sido expressivos, mas a força social das ruas contra a extrema direita vem sendo capaz de superá-los, pela primeira vez em anos. É nessa força social que derrotou a 6×1, que agora sai às ruas queimando bandeira dos Estados Unidos, defendendo a saúde e a educação, como parte do apoio a Lula, que precisamos apostar contra Flávio Bolsonaro e a extrema direita, superando a política de paralisia das burocracias sindicais e estudantis. É essa força que pode impedir que o fim da 6×1 seja atacado com a remuneração por hora que o bolsonarismo defende.”
Leandro Lanfredi, dirigente do Movimento Nossa Classe e parte da direção do Sindipetro-RJ, afirmou ao Esquerda Diário: “os petroleiros estão em uma forte mobilização em todo o país para derrotar Flávio, Trump e a extrema direita. Como parte disso, nós viemos de uma importante campanha na qual dizemos que o petróleo e as terras raras têm que ser nossos, contra o entreguismo dessa extrema direita que prega ainda mais submissão aos Estados Unidos, e que significa um salto na devastação ambiental. Nós do MRT viemos colocando nossas Casas Marx a serviço disso. A sociedade está tomando consciência amplamente da necessidade dessa luta, que, com os petroleiros na linha de frente, podemos vencer. Trump ataca países, como vimos com a enorme ingerência na Venezuela, para buscar petróleo. Flávio Bolsonaro promete continuar o legado de seu pai dizendo que privatizará 95% de todas as estatais. Nós não vamos permitir. Ao contrário do que diz Lula, nós não temos nenhuma petroquímica com Trump e vimos como nenhuma privatização de Bolsonaro e Temer foi desfeita nos últimos anos pela Frente Ampla. Pelo contrário, em meio ao segundo turno, o governo Lula realizou mais um enorme leilão de petróleo, contra o qual organizamos um ato a partir do Sindipetro com ambientalistas, indígenas e nos unificamos nas ruas numa unidade com os estudantes das escolas contra Flávio Bolsonaro. É com a força social das ruas, como mostrou o fim da 6×1, e não com as alianças com a direita e sinalizações ao imperialismo, que vamos enfrentar Flávio Bolsonaro, Trump e conquistar direitos. Também em nome da luta Palestina vamos enfrentar todos os capachos do Estado de Israel, sabendo que Flávio Bolsonaro anunciou que em caso de vitória o assassino Netanyahu será convidado para a posse. Nossa luta vem sendo por enviar petróleo para Cuba e não para Trump e para o genocídio.”
Giovana Pozzi, dirigente da Faísca Revolucionária e parte do CHIST (Centro Acadêmico de História) na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), afirma: “foi a juventude que neste segundo turno apontou o caminho da luta e contra a desmoralização e o medo da extrema direita, com os estudantes da UFF saindo às ruas e contagiando todo o país. Isso mostra, contra todos os céticos que dizem que a ‘juventude é de direita’, que no Brasil também somos parte dessa geração que está se levantando na Europa e em diversos países. A luta de classes que arde na França, no Estado Espanhol, na Alemanha, na Itália, na Albânia, em Portugal, expressa um clima que verdadeiramente nos traz ares de Maio de 1968. A juventude que ocupou escolas na França e se alia à classe trabalhadora nas ruas, enfrentando a repressão policial, contra o imperialismo francês, o povo trabalhador no Estado Espanhol que luta por moradia, a juventude alemã que confronta o alistamento militar são todos símbolos de um capitalismo apodrecido que quer preparar nossa juventude para a guerra em prol dos interesses imperialistas e para isso atacando nossos direitos.”
Araçá Rivera, parte do CALET na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), complementa: “Assim como o movimento estudantil que enfrentou a ditadura no Brasil e foi parte de incendiar a classe trabalhadora, devemos nos inspirar nessa juventude que internacionalmente se levanta na Europa. Como parte da Corrente Revolução Permanente (CRP-QI), nós estamos atuando em cada um desses processos, defendendo a necessidade de coordenar e auto-organizar nossas lutas, por nenhum orçamento ao militarismo. Façamos esse exemplo ecoar no Brasil também.”
Diana Assunção, dirigente nacional do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), declarou: “nós do MRT, a partir do Esquerda Diário, de todas as nossas figuras públicas e também de cada entidade sindical e estudantil em que atuamos, viemos batalhando como um verdadeiro exército contra Flávio Bolsonaro e a extrema direita. Nas redes, e sobretudo nas ruas, viemos organizando atos, panfletagens, compondo as manifestações e impulsionando diversas iniciativas para denunciar o que significa essa extrema direita, capacho de Donald Trump e travando uma batalha por uma estratégia que possa enterrar essa corja definitivamente. Levantamos com toda força a necessidade de nenhum voto em Flávio Bolsonaro. Chamamos a confiar na força da nossa mobilização independente para derrotar o bolsonarismo e o imperialismo que quer submeter ainda mais a América Latina ao seu controle, como vemos com o reacionário Escudo das Américas, contra o qual nós da CRP estamos chamando uma grande campanha internacionalmente. Como já expressamos, não damos nenhum apoio político à Frente Ampla de Lula e Alckmin, porque consideramos que é fundamental entender como chegamos até aqui e tirar conclusões disso. Foi a moderação e a política de conciliação de classes que pavimentou o caminho para o fortalecimento da extrema direita, mantendo cada reforma de Temer e Bolsonaro, aplicando ataques e aprofundando a precarização da classe trabalhadora, que está cada vez mais endividada. A extrema direita se alimenta da frustração com essa realidade, bem como das alianças, dos ministérios, do financiamento recorde para o agronegócio. Esse é o resultado da política que se propõe a administrar o Estado capitalista. Este caminho não serve para derrotar a extrema direita, e muito menos é uma alternativa de fundo para a classe trabalhadora. Por isso, viemos chamando cada trabalhador e jovem que quer derrotar a extrema direita, mas compreende que a conciliação é um beco sem saída, assim como cada organização que se coloca como independente da Frente Ampla no Brasil, a debater como construímos uma poderosa alternativa política de organização que supere o PT pela esquerda, o que nenhuma das organizações que se colocam neste campo hoje é. Precisamos de um grande partido de independência de classe e internacionalista, em defesa da revolução operária e socialista”.
Fonte: Esquerda Diário