Trump proíbe uso da inteligência artificial chinesa DeepSeek em órgãos federais
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) determinou que órgãos civis do governo federal retirem de seus sistemas de tecnologia da informação os produtos da empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek, incluindo serviços de terceiros que utilizem seus modelos. A medida também impede que essas agências adquiram novas ferramentas desenvolvidas com a tecnologia da companhia.
A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (19), segundo informações da agência Reuters, e faz parte de uma série de restrições adotadas pelo governo do presidente Donald Trump contra empresas chinesas de tecnologia. As autoridades americanas alegam que a utilização dos modelos da DeepSeek pode comprometer informações sensíveis e representar riscos à segurança nacional.
Em comunicado, o DHS afirmou que os modelos da empresa apresentam “múltiplos vetores de ameaça” e manifestou preocupação com a possibilidade de que seu uso por funcionários públicos ou prestadores de serviços resulte no envio de informações confidenciais à China.
Segundo o departamento, a utilização da tecnologia “pode resultar na transferência de dados sensíveis para a República Popular da China, caso seja utilizada por funcionários ou fornecedores do governo dos Estados Unidos”.
O órgão também alertou para possíveis riscos de espionagem e vulnerabilidades nos sistemas de inteligência artificial desenvolvidos pela companhia chinesa.
O DHS afirmou que o emprego da DeepSeek por agências federais “poderia produzir informações de inteligência utilizáveis sobre cidadãos americanos e/ou agências governamentais. Os próprios modelos podem conter softwares maliciosos ou outras vulnerabilidades de segurança”.
As advertências fundamentam a determinação de retirada dos produtos e serviços associados à empresa dos sistemas utilizados pela administração federal civil. A proibição abrange tanto ferramentas fornecidas diretamente pela DeepSeek quanto soluções de outras empresas desenvolvidas com seus modelos de inteligência artificial.
Governo americano amplia medidas de segurança contra a DeepSeek
A decisão anunciada nesta semana foi precedida por orientações de segurança encaminhadas às agências federais em julho. Em um memorando daquele mês, divulgado publicamente na segunda-feira, o Departamento de Segurança Interna recomendou o monitoramento do tráfego de dados que entra e sai dos sites governamentais para enfrentar possíveis riscos relacionados à DeepSeek.
A iniciativa indica que as preocupações das autoridades americanas não se limitam ao uso direto de ferramentas de inteligência artificial por servidores públicos, mas também envolvem a proteção da infraestrutura digital dos órgãos federais.
Antes da determinação mais abrangente, algumas instituições americanas já haviam restringido o uso da tecnologia chinesa em equipamentos oficiais.
Entre elas estão o Departamento de Comércio e a Marinha dos Estados Unidos, que anteriormente proibiram a utilização da DeepSeek em dispositivos governamentais.
Governos estaduais também adotaram medidas semelhantes. Nova York, Tennessee e Virgínia estão entre os estados que estabeleceram restrições ao uso da plataforma em seus sistemas públicos.
A Embaixada da China em Washington não apresentou comentários imediatos sobre a nova decisão, de acordo com a Reuters.
Administração Trump intensifica restrições a empresas chinesas
A proibição da DeepSeek ocorre em meio ao endurecimento das políticas americanas para limitar a participação de empresas chinesas em setores considerados estratégicos, especialmente telecomunicações, inteligência artificial e equipamentos eletrônicos.
Uma das próximas medidas previstas envolve a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), que deverá votar, em 29 de outubro, uma proposta para impedir que laboratórios chineses realizem testes de certificação de equipamentos eletrônicos destinados ao mercado americano.
A restrição poderá atingir dispositivos como smartphones, câmeras e computadores, cuja comercialização depende do cumprimento de requisitos técnicos e regulatórios.
A dimensão dessa atividade é significativa. Segundo os dados mencionados pela Reuters, 82% dos produtos eletrônicos destinados aos Estados Unidos foram testados na China no ano passado.
O governo americano também vem adotando restrições à entrada de equipamentos chineses no país.
Em dezembro, a FCC proibiu a importação de novos modelos de drones chineses e de novos modelos de roteadores de uso doméstico fabricados na China. Esses equipamentos são responsáveis por conectar computadores, telefones e dispositivos inteligentes à internet.
Outra medida foi aprovada em julho, quando a comissão votou pela proibição da venda, no mercado americano, de dispositivos que contenham componentes essenciais produzidos por empresas chinesas consideradas ameaças à segurança nacional.
A agência reguladora também apresentou uma proposta para impedir que operadoras de telecomunicações dos Estados Unidos mantenham interconexões com companhias chinesas classificadas como riscos à segurança nacional.
Fonte: Brasil 247