COP17 precisa acelerar meta de proteger 30% do planeta até 2030, cobra Campaign for Nature
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A 17ª Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP17), que começou nesta segunda-feira (19) em Ierevan, na Armênia, precisa ser um ponto de virada para a meta de proteger e conservar ao menos 30% das terras e dos oceanos do planeta até 2030, conhecida como 30×30. A avaliação é de Brian O’Donnell, diretor da Campaign for Nature, em comunicado divulgado nesta segunda-feira.
A 30×30 foi a peça central do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, acordo finalizado na COP15, em 2022. Segundo O’Donnell, proteger e restaurar habitats é a base para cumprir as demais metas do acordo, porque conserva espécies e mantém serviços ecossistêmicos essenciais.
“Faltando apenas quatro anos para 2030, os países precisam avançar rapidamente para garantir que a 30×30 seja alcançada”, afirmou.
A Revisão Global do Progresso Coletivo na implementação do Marco Global de Biodiversidade mostra que o mundo não está no caminho para cumprir suas metas, incluindo a 30×30. Por outro lado, segundo O’Donnell, estudos recentes, entre eles a Avaliação Global 30×30 da Campaign for Nature, indicam que alguns países já adotam medidas ambiciosas e que cumprir a meta é viável com liderança e compromisso renovados dos governos.
Liderança política
O diretor lista três frentes em que a COP17 precisa avançar. A primeira é política. Chefes de governo e ministros presentes na conferência devem reforçar por que a 30×30 é crítica não só para a biodiversidade, mas também para o abastecimento de alimentos, o desenvolvimento sustentável e a segurança nacional e global. Também devem apresentar planos nacionais robustos para acelerar a implementação da meta.
“A entrega depende de liderança, e os líderes precisam mostrar ao mundo que a 30×30 é uma prioridade”, disse O’Donnell.
A segunda frente é deixar claro o papel central de povos indígenas e comunidades locais no cumprimento da meta. Segundo O’Donnell, eles estão entre os melhores guardiões da natureza do mundo e manejam grande parte da biodiversidade que ainda resta no planeta.
Ele defende que a COP17 dê orientações sobre como territórios indígenas e tradicionais podem contribuir para a 30×30. Para isso, seria necessária uma política clara para que essas áreas, quando garantem resultados de conservação de longo prazo, sejam reconhecidas como um terceiro caminho essencial para a meta, além das áreas protegidas e das outras medidas efetivas de conservação. Esse reconhecimento dependeria da vontade dos próprios povos indígenas e comunidades locais.
Cobrança por financiamento
A terceira frente, considerada crucial por O’Donnell, é financeira. Segundo ele, a COP17 precisa mostrar que os governos estão preparados para cumprir as promessas de financiamento feitas em Montreal, em 2022.
O diretor critica a forma como o tema costuma ser tratado nas conferências. Segundo ele, as discussões sobre mobilização de recursos muitas vezes se perdem em longos debates sobre mecanismos antes mesmo de eles receberem dinheiro, apostam no que as empresas poderiam fazer voluntariamente ou pedem mudanças estruturais na economia global que podem levar décadas e são irrealistas no âmbito de uma COP de biodiversidade.
Para O’Donnell, o que a conferência pode e deve fazer é responsabilizar os países pelos compromissos financeiros que assumiram, para que as metas do marco global sejam cumpridas no prazo. Entre eles está o de elevar a pelo menos US$ 30 bilhões por ano, até 2030, o financiamento destinado a países do Sul Global.
Segundo o comunicado, o financiamento internacional para a 30×30 ainda está US$ 5 bilhões por ano abaixo do patamar necessário até 2030. Novos anúncios de recursos e novos compromissos de trabalhar com os ministérios da Fazenda em planos de entrega poderiam ajudar a fechar essa lacuna, de forma que o dinheiro chegue de fato a quem protege e conserva a natureza.
“Estamos no meio do caminho entre a COP15 e 2030. A COP17 não pode ser um marco de promessas sem entrega”, afirmou O’Donnell. Segundo ele, a conferência precisa transformar o compromisso global da 30×30 em ação financiada, na escala e na velocidade necessárias para deter e reverter a perda de biodiversidade até 2030.
Fonte: umsoplaneta