Lula propõe abrir sigilos de Janja e Lulinha e cobra dados de Flávio Bolsonaro
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende formalizar nesta terça-feira (20) uma proposta de abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de sua família, incluindo a primeira-dama Janja e o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A iniciativa prevê que o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno da eleição presidencial, também apresente informações financeiras de seus familiares, empresas e contas mantidas no exterior.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (19), a proposta será encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estabelece a divulgação simultânea dos documentos dos dois candidatos. O presidente também pretende incluir no pedido informações sobre a Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro.
A inclusão da empresa ocorre após a Polícia Federal obter mensagens eletrônicas que indicam uma possível ligação do senador com uma conta bancária no Santander associada a Willer Tomaz. O advogado é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ambos negam irregularidades.
Uma funcionária solicitou ao banco, em maio de 2025, a retirada do nome de Flávio Bolsonaro da conta vinculada à empresa do advogado. A informação integra os elementos que levaram a campanha de Lula a exigir esclarecimentos sobre a relação financeira entre os dois.
Em manifestação anterior, a assessoria do senador contestou a existência dessa vinculação. Segundo a nota, Flávio “nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer das empresas dele”. A equipe acrescentou: “Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa”.
A expressão usuário master costuma identificar o responsável principal por uma conta ou sistema, com poderes administrativos ampliados. A definição específica depende das regras da instituição financeira.
A documentação preparada pela equipe do presidente inclui uma relação de empresas associadas a Flávio Bolsonaro. Além da Alcazar Holdings, são mencionados o escritório de advocacia do senador, a All In One Corretora de Seguros Ltda., a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e a Bolsonaro Digital Ltda.
A campanha petista sustenta que o adversário mantém participações empresariais e movimentações financeiras em estruturas offshore. A proposta busca tornar públicos extratos bancários, declarações de imposto de renda, informações patrimoniais, rendimentos, dívidas e registros telefônicos, para permitir o exame das movimentações dos dois grupos familiares.
No caso de Lula, a autorização abrangeria, além do próprio presidente, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e seus cinco filhos: Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva.
O documento também deverá mencionar a participação societária do presidente na LILS, empresa criada em 2011 para administrar suas atividades de palestras. Lula figura como sócio não administrador da companhia.
Em relação à família Bolsonaro, o pedido de transparência envolveria a esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, seus pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.
A intenção da equipe presidencial é condicionar a entrega dos documentos à concordância de Flávio Bolsonaro com a apresentação de informações equivalentes. Assim, os dados das duas famílias seriam disponibilizados ao mesmo tempo, em uma iniciativa que Lula pretende estender “a toda a sociedade brasileira”.
O presidente anunciou a disposição de abrir seus sigilos durante compromissos de campanha realizados na segunda-feira, em Porto Alegre, e em entrevista ao SBT. Na capital gaúcha, afirmou que decidiu responder às acusações envolvendo seus familiares, recorrentes nas disputas eleitorais.
“Eu sei que, em toda eleição, inventam alguma coisa contra a minha família e resolvi não ficar quieto. Esta é a minha última disputa eleitoral, e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar a minha biografia no lixo”, declarou Lula.
A proposta ganhou força depois do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18). Durante o confronto, os candidatos trocaram acusações relacionadas a corrupção, patrimônio e investigações envolvendo pessoas próximas.
Flávio Bolsonaro questionou o presidente sobre a situação de Lulinha, mencionado em investigações relativas a irregularidades no INSS. Lula respondeu que o filho já havia autorizado a Polícia Federal a acessar suas informações bancárias e telefônicas.
O presidente também cobrou esclarecimentos do senador sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e mencionou um pedido de R$ 134 milhões destinado ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante o debate, Lula sugeriu que ambos entregassem seus documentos aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE, para que eventuais irregularidades pudessem ser examinadas antes da votação.
Flávio Bolsonaro afirmou que não tinha nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a abertura simultânea dos sigilos. O senador também acusou Lula de manter recursos fora de suas contas bancárias, sem apresentar provas durante o confronto.
A equipe presidencial pretende concluir a formalização do pedido antes dos compromissos de campanha previstos para esta terça-feira no Maranhão e em Pernambuco. A efetiva divulgação dos documentos, conforme o formato proposto, dependerá da adesão do candidato do PL.
Fonte: Brasil 247