Casas Bahia aprova recuperação e aguarda decisão judicial
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O Grupo Casas Bahia confirmou nesta segunda-feira (19) que seus acionistas aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária, a ratificação do pedido de recuperação judicial apresentado em 16 de agosto de 2026. A medida abrange a companhia e determinadas subsidiárias, mas ainda depende de uma decisão da Justiça para avançar. Na mesma reunião, os investidores aprovaram mudanças no estatuto social para incorporar um aumento de capital que elevou o valor registrado pela empresa para R$ 7,14 bilhões.
As informações constam de comunicado divulgado pelo Grupo Casas Bahia ao mercado nesta segunda-feira. Segundo a companhia, o juízo responsável pelo processo ainda não decidiu se autorizará o processamento da recuperação judicial, o que mantém indefinida a situação do pedido apresentado há aproximadamente dois meses.
A empresa ressaltou que a aprovação dos acionistas não representa o deferimento judicial da solicitação. O comunicado também esclarece que não existe garantia de que a Justiça aceitará o pedido nas condições propostas pelo grupo.
Apesar da ausência de uma decisão sobre o processamento, continuam válidos os efeitos da tutela de urgência que a Justiça concedeu em 28 de agosto de 2026. A companhia não detalhou, no comunicado apresentado, o alcance específico dessa proteção.
Acionistas autorizam continuidade da recuperação judicial
Durante a assembleia, os acionistas também concederam autorização para que a administração execute os procedimentos necessários à continuidade do processo de recuperação judicial. A deliberação inclui a ratificação das medidas que os administradores já haviam adotado para viabilizar o pedido, além da autorização para realizar novos atos relacionados à sua efetivação.
O Grupo Casas Bahia fez referência aos fatos relevantes publicados em 16 e 31 de agosto, quando comunicou ao mercado informações sobre o processo e seus desdobramentos. A empresa afirmou que continuará divulgando atualizações sobre acontecimentos que possam influenciar a recuperação judicial ou a situação dos investidores. A decisão sobre o processamento permanece sob responsabilidade da Justiça.
Capital social do Grupo Casas Bahia chega a R$ 7,14 bilhões
A Assembleia Geral Extraordinária também aprovou uma alteração no estatuto social para registrar o aumento de capital que o conselho de administração havia autorizado anteriormente. Com a mudança, o capital social do Grupo Casas Bahia passou a totalizar R$ 7.138.908.767,07, distribuídos em 1.013.760.396 ações ordinárias.
A operação decorre da conversão de debêntures da segunda série da 11ª emissão da companhia em ações. Esse mecanismo permite transformar títulos de dívida em participação acionária, de acordo com as condições da emissão.
A conversão modifica a composição do capital da empresa, mas o comunicado não informa uma entrada equivalente de recursos financeiros no caixa. O valor do capital social também não corresponde necessariamente ao valor de mercado da companhia.
Assembleia aprova mudanças na estrutura administrativa
Os acionistas também deliberaram sobre a composição dos órgãos de governança do Grupo Casas Bahia, incluindo a eleição de representantes para o Conselho Fiscal. Charles Dimetrius Popoff assumirá a posição de membro efetivo, enquanto João Luís Gagliardi Palermo ocupará a função de suplente, conforme as decisões tomadas na assembleia.
A reunião registrou ainda a alteração do número de integrantes do conselho de administração, após as renúncias que a companhia havia comunicado em agosto de 2026. Os participantes aprovaram a consolidação do estatuto social, incorporando as mudanças relativas ao capital da empresa e às demais deliberações que exigiam atualização do documento.
A aprovação das medidas societárias ocorre enquanto o Grupo Casas Bahia busca dar continuidade ao processo de recuperação judicial e organizar sua estrutura administrativa e financeira. A companhia permanece à espera da manifestação judicial sobre o processamento do pedido protocolado em agosto. Até que a Justiça tome uma decisão, seguem em vigor os efeitos da tutela de urgência concedida naquele mês.
Fonte: Brasil 247