Nicolás Schonfeld defende cooperação entre TVs públicas da América Latina e China
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 — O diretor-executivo da Rede TAL, Nicolás Schonfeld, defendeu nesta segunda-feira (19), na Cidade do México, a construção de uma estrutura estável e sustentável de cooperação audiovisual entre a China e a América Latina. Para ele, a aproximação deve avançar para a produção conjunta de histórias que permitam às sociedades se conhecerem melhor e construírem relações de confiança.
Em sua participação no IX Fórum de Diálogo de Civilizações entre a China e a América Latina e o Caribe, Schonfeld destacou o papel das televisões públicas nesse processo. Segundo ele, a Rede TAL articula quase 150 emissoras de 20 países, reunindo meios públicos, educativos, culturais, universitários e regionais com diferentes identidades, línguas e perspectivas.
“O desafio do diálogo de civilizações é também um desafio para o audiovisual e, especialmente em nossa região, para os meios públicos”, afirmou, em tradução do espanhol.
Emoções e histórias aproximam os povos
Schonfeld ressaltou que as percepções sobre outras sociedades se formam tanto pela informação quanto pelas emoções, pelas imagens e pelas histórias que acompanham as pessoas ao longo da vida.
Nesse sentido, o audiovisual pode contribuir para aproximar povos e ampliar o conhecimento sobre suas experiências cotidianas, culturas e territórios.
Segundo o dirigente, a trajetória de mais de duas décadas da Rede TAL demonstra que a cooperação entre emissoras pode ultrapassar a distribuição de conteúdos, conectando comunidades, ampliando vozes e construindo relações culturais e afetivas duradouras.
Essa colaboração, afirmou, oferece aos povos mais possibilidades de contar suas próprias histórias e conhecer as histórias dos demais.
Da circulação de conteúdos à produção conjunta
Ao abordar as relações com a China, Schonfeld defendeu uma nova etapa de cooperação, com continuidade e capacidade de desenvolver projetos compartilhados.
“A circulação de conteúdos, embora necessária, não é suficiente”, declarou.
O desafio, segundo ele, é avançar das experiências pontuais para uma estrutura permanente de colaboração audiovisual entre as duas regiões. “Isso supõe, em primeiro lugar, produzir juntos”, afirmou.
Como exemplo, mencionou uma proposta de série documental desenvolvida com China Hoje e CECLA. O projeto reúne histórias de cidadãos chineses que construíram suas vidas na América Latina e de latino-americanos residentes na China.
A proposta busca apresentar as relações entre as sociedades por meio de experiências humanas concretas, com equipes de produção nos dois territórios.
Construir uma visão compartilhada
Para Schonfeld, a coprodução exige disposição para ouvir, reconhecer diferenças e elaborar uma perspectiva comum sobre as histórias apresentadas.
“Precisamos nos encontrar, nos ouvir, reconhecer nossas diferenças e construir uma visão compartilhada”, afirmou, em tradução do espanhol.
É nesse processo, avaliou, que começam a se estabelecer as bases de uma confiança profunda e sustentada entre os parceiros.
O diretor-executivo da Rede TAL também defendeu pesquisas sobre como chineses e latino-americanos se percebem mutuamente. Conhecer as audiências, identificar estereótipos e compreender as narrativas que circulam entre as sociedades são, segundo ele, outras dimensões necessárias para fortalecer a cooperação.
Fonte: Brasil 247