Cofecon divulga manifesto em defesa da democracia e alerta para riscos de ajuste fiscal em cima de cortes sociais

0

Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O Conselho Federal de Economia (Cofecon), entidade máxima de representação dos economistas brasileiros, divulgou um manifesto em defesa da democracia e das instituições brasileiras, no qual alerta para os riscos envolvidos na escolha do próximo presidente da República. O documento, aprovado durante a 755ª Sessão Plenária da entidade, realizada em 16 de outubro de 2026, em Brasília, destaca a importância da preservação dos direitos constitucionais, da soberania nacional e das liberdades democráticas.

De acordo com o manifesto publicado no site oficial do Cofecon, a disputa presidencial, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro, representa uma decisão que ultrapassa as diferenças partidárias e envolve concepções distintas sobre os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil.

“Mais que uma simples escolha entre partidos ou candidatos, estamos diante de duas visões antagônicas para o futuro do País”, afirma o Conselho Federal de Economia no documento.

A entidade defende um modelo de desenvolvimento que combine autonomia nacional, fortalecimento das instituições democráticas e respeito aos direitos fundamentais. Entre os princípios destacados estão a liberdade de expressão, a liberdade de cátedra, a separação entre Estado e religião e o reconhecimento da diversidade da sociedade brasileira.

“Defendemos um projeto autônomo, soberano, que preserve a Constituição, o Estado democrático de direito, as instituições, a liberdade de expressão e de cátedra, a laicidade do Estado e do ensino e o respeito à diversidade étnica, religiosa, racial e de gênero”, diz o manifesto.

O posicionamento ocorre na reta final da campanha presidencial e ressalta a responsabilidade dos eleitores diante das consequências políticas e institucionais do resultado das urnas. Embora não mencione nominalmente os candidatos, o Cofecon afirma que a escolha envolve projetos de país com diferenças profundas.

Entidade rejeita autoritarismo e negacionismo climático

Um dos pontos centrais do manifesto é a oposição a práticas que possam comprometer o funcionamento das instituições e as garantias democráticas. O Conselho associa a defesa da democracia à preservação das liberdades individuais e coletivas, além da proteção da soberania brasileira.

Na parte final do documento, a entidade sintetiza sua posição com uma declaração contundente: “Não à barbárie, à censura, ao arbítrio e ao negacionismo climático. Pela Constituição, pelas Instituições, pela soberania e pela preservação da democracia!”

A referência ao negacionismo climático também evidencia a preocupação do Conselho com a dimensão ambiental das políticas públicas. O tema integra a concepção de desenvolvimento defendida pela entidade, que considera necessário conciliar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.

Ao incorporar essas questões ao debate eleitoral, o Cofecon estabelece uma relação entre a manutenção das garantias democráticas e a capacidade do país de implementar políticas de desenvolvimento econômico e social.

Cofecon critica ajuste fiscal baseado em cortes sociais

Além da defesa institucional da democracia, o manifesto recupera propostas econômicas discutidas no XXIX Simpósio dos Conselhos de Economia (Since), realizado em setembro. O encontro reuniu lideranças profissionais e milhares de economistas de diferentes regiões do Brasil, em formato híbrido, durante três dias de debates sobre questões econômicas, profissionais e nacionais.

Como resultado das discussões, os participantes aprovaram a Carta de São Paulo, documento que apresenta diretrizes para o futuro da economia brasileira e defende o desenvolvimento sustentável em suas dimensões econômica, social e ambiental.

O Conselho também manifesta oposição a uma política de ajuste fiscal centrada na redução dos investimentos públicos e das despesas sociais, especialmente quando essas medidas atingem as parcelas mais vulneráveis da população.

No manifesto, a entidade afirma que, na Carta de São Paulo, questionou “a visão superficial do ‘ajuste fiscal’ baseada no corte de investimentos e programas sociais, em prejuízo da população mais carente”.

A posição evidencia a preocupação dos economistas com os impactos distributivos das decisões fiscais e com a necessidade de preservar políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.

A Carta de São Paulo, mencionada no manifesto, funciona como referência para a posição institucional do Conselho sobre as prioridades econômicas do país.

Segundo turno é tratado como decisão sobre o futuro do país

Ao relacionar as propostas econômicas às preocupações institucionais, o Cofecon procura ampliar o alcance de sua manifestação para além das questões específicas da profissão. O documento apresenta a eleição presidencial como um momento decisivo para a definição das prioridades nacionais.

“Vimos neste momento nos posicionar e alertar o povo brasileiro para o que está em jogo no processo eleitoral, assim como os riscos envolvidos a partir da escolha a ser feita”, afirma a entidade.

O Conselho ressalta que a disputa envolve diferentes perspectivas sobre o papel do Estado, a proteção dos direitos fundamentais e a condução das políticas de desenvolvimento.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *