Rebecca Igreja defende parceria com a China para ampliar produção de conhecimento
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 — A secretária-geral da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Rebecca Lemos Igreja, defendeu nesta segunda-feira (19), na Cidade do México, o aprofundamento da cooperação acadêmica entre a China e a América Latina e o Caribe. Para ela, essa parceria deve permitir a produção conjunta de conhecimento, a formulação de novas perguntas e a construção de interpretações que incorporem as diferentes experiências históricas das sociedades.
Em sua fala no IX Fórum de Diálogo de Civilizações entre a China e a América Latina e o Caribe, Rebecca destacou que as transformações econômicas, políticas, sociais e tecnológicas ampliam a importância do intercâmbio entre universidades e centros de pesquisa. O diálogo entre civilizações, afirmou, permite compreender as perspectivas a partir das quais cada sociedade interpreta essas mudanças.
A dirigente apresentou a participação da FLACSO, organismo intergovernamental dedicado ao desenvolvimento das ciências sociais, como uma oportunidade para aprofundar a cooperação com instituições chinesas e fortalecer a reflexão sobre desenvolvimento, integração regional e relações internacionais.
Autonomia e respeito às diferentes trajetórias
Rebecca relacionou o diálogo intercivilizacional à proposta de uma comunidade de futuro compartilhado entre China, América Latina e Caribe. Em sua avaliação, a iniciativa abre espaço para fortalecer a cooperação com reconhecimento das diferentes trajetórias e prioridades dos países.
Nesse processo, ressaltou, a América Latina e o Caribe têm uma tradição própria de pensamento sobre integração regional, cooperação internacional e autonomia. A China, por sua vez, reúne experiências de desenvolvimento e modernização construídas a partir de sua história, que podem alimentar o intercâmbio com outras regiões.
O encontro entre essas tradições, segundo a secretária-geral, oferece condições para enriquecer as formas de compreender o mundo e ampliar as possibilidades de colaboração.
Pesquisa para formular novas perguntas
Rebecca destacou que a mobilidade de estudantes e professores, os programas de formação, as pesquisas conjuntas e as redes universitárias já constituem uma base para aprofundar as relações acadêmicas.
O passo seguinte, defendeu, envolve desenvolver conjuntamente conceitos, categorias de análise e novas interpretações da realidade. “A pesquisa científica tem uma dimensão criativa que vai muito além de oferecer respostas a problemas concretos”, afirmou, em tradução do espanhol.
Para a dirigente, a construção de um futuro compartilhado exige tanto a identificação de interesses comuns quanto a capacidade de compreender as transformações por diferentes perspectivas e elaborar novas respostas.
As universidades e os centros de pesquisa podem contribuir para esse esforço ao fortalecer as capacidades científicas dos países e ampliar sua participação nos debates internacionais.
Multilinguismo para fazer o conhecimento circular
A circulação dos resultados das pesquisas também ocupou lugar central na intervenção. Rebecca destacou o papel das publicações na aproximação entre comunidades acadêmicas e na ampliação do conhecimento sobre a China e os países latino-americanos e caribenhos.
“Não basta produzir pesquisa; é igualmente importante que seus resultados possam circular”, declarou, em tradução do espanhol.
Nesse sentido, defendeu o estímulo ao multilinguismo e ao encontro entre diferentes línguas. Como brasileira, chamou a atenção para as dificuldades de conhecimento mútuo existentes dentro da própria América Latina.
Rebecca também apresentou a FLACSO como um espaço de articulação para instituições acadêmicas interessadas na China contemporânea, com incentivo a redes de pesquisadores, projetos comuns e intercâmbio de conhecimento.
Fonte: Brasil 247