Checagem aponta informações falsas e imprecisas em falas de Lula e Flávio Bolsonaro na Band

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Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Checagem aponta informações falsas e imprecisas em falas de Lula e Flávio Bolsonaro na Band

O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de domingo, 18, na Band, foi marcado por acusações mútuas e declarações sobre economia, segurança pública, programas sociais e investigações de corrupção. A Agência Lupa analisou afirmações dos dois candidatos durante o confronto e identificou informações falsas, exageradas ou que precisavam de contexto adicional.

Entre os pontos verificados estão declarações sobre os gastos do governo federal com viagens, o valor dos benefícios sociais durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), a situação do sistema penitenciário brasileiro e o crescimento da economia. O debate foi o primeiro confronto direto entre os dois presidenciáveis nesta campanha, já que ambos não participaram dos debates eleitorais do primeiro turno.

Uma das afirmações contestadas foi feita por Flávio Bolsonaro ao atribuir a Lula e à primeira-dama Janja da Silva gastos de R$ 7 bilhões com viagens. Segundo a checagem da Lupa, o valor corresponde às despesas de deslocamento de toda a estrutura do governo federal entre 2023 e 2025, incluindo passagens e diárias de servidores e autoridades de diferentes órgãos, e não exclusivamente às viagens do presidente e da primeira-dama.

O senador também afirmou que o governo de Jair Bolsonaro havia elevado o benefício social para R$ 600. A informação, porém, exige ressalvas: a proposta inicial do Auxílio Brasil previa um valor mínimo de R$ 400, enquanto o pagamento de R$ 600 foi estabelecido posteriormente, em 2022, e tinha previsão de vigorar até o fim daquele ano. A proposta orçamentária encaminhada pelo governo Bolsonaro para 2023 previa o benefício de R$ 400.

Na área de segurança pública, Flávio afirmou que o governo federal coloca criminosos perigosos nas ruas sob a justificativa de falta de vagas no sistema penitenciário. A checagem classificou a declaração como falsa. A legislação brasileira não prevê a libertação automática de condenados por falta de vagas nas prisões. A eventual transferência para prisão domiciliar ou adoção de outras medidas depende de decisão judicial e da análise das condições previstas na legislação.

Outro dado mencionado pelo senador foi o de que 73% dos presos teriam votado em Lula. A informação precisa ser contextualizada porque pessoas condenadas criminalmente com sentença definitiva perdem os direitos políticos, inclusive o direito ao voto. Presos provisórios, que ainda não tiveram condenação definitiva, podem votar.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pela Lupa, Lula recebeu 72,57% dos votos válidos registrados nas seções eleitorais instaladas em unidades prisionais e socioeducativas no primeiro turno de 2026, enquanto Flávio obteve 23,29%. Esses números, entretanto, não representam o conjunto da população carcerária, pois as seções também podem receber votos de agentes penitenciários e outros eleitores autorizados.

Declarações de Lula também são questionadas

O presidente também teve afirmações contestadas pelos verificadores. Ao dizer que o Brasil só voltou a crescer acima de 3% depois de seu retorno à Presidência, Lula apresentou uma informação considerada falsa pela Lupa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,9% em 2011 e 3% em 2013, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Sob Jair Bolsonaro, a economia avançou 4,8% em 2021 e 3% em 2022.

Em outra declaração, Lula afirmou que o governo Bolsonaro havia liberado mais de um bilhão de munições. A Lupa considerou a afirmação insustentável por falta de dados públicos que comprovem o volume mencionado. Embora tenham ocorrido mudanças nas regras de acesso a armas e munições durante a gestão anterior, os registros disponíveis não permitem confirmar o número apresentado pelo presidente.

Por outro lado, a checagem considerou verdadeira a declaração de Lula sobre a ampliação da licença-maternidade das servidoras estaduais do Rio de Janeiro. Em 2009, quando era deputado estadual, Flávio Bolsonaro foi o único parlamentar a votar contra uma proposta que ampliava o período de quatro para seis meses.

Também foi confirmada a afirmação de que o governo federal apresentou uma proposta orçamentária para 2027 com previsão de superávit primário de aproximadamente 0,1% do PIB, considerando o conjunto das receitas e despesas primárias sem descontos. A Lupa, contudo, ressaltou que as estimativas orçamentárias podem mudar e não garantem que o resultado efetivo das contas públicas será positivo.

Debate teve acusações sobre investigações

As investigações envolvendo familiares dos candidatos também ocuparam espaço no confronto. Flávio Bolsonaro mencionou suspeitas relacionadas ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e afirmou que Lula teria conhecimento de reuniões dele com ministros do governo.

A checagem destacou que as declarações se baseavam em informações atribuídas à empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Até o momento considerado pela apuração, não havia acusação judicial contra Lula relacionada ao episódio.

O senador também fez referência a supostos pagamentos de R$ 30 milhões ao Instituto Lula, atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a Lupa, a alegação não foi sustentada pelos documentos públicos e pelas informações disponíveis sobre as propostas de delação premiada apresentadas pela defesa do empresário. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram a existência do depoimento mencionado.

O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorreu a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25. Além das propostas para a economia e a segurança pública, o debate foi dominado por ataques pessoais e questionamentos sobre a atuação dos dois grupos políticos.

A análise da Agência Lupa reuniu verificações sobre diferentes temas e apontou a necessidade de contextualizar informações apresentadas pelos dois candidatos.

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Fonte: Jornal Opção

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