Postura de Flávio Bolsonaro foi arrogante; Lula começou nervoso, mas terminou à vontade e com propostas, diz cientista político
Por Redação — Brasil de Fato
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma postura “arrogante” no primeiro debate do segundo turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou nervoso, mas terminou o encontro à vontade e apresentando propostas. A avaliação é do cientista político Paulo Roberto de Sousa, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em live do Brasil de Fato após o debate da TV Bandeirantes, na noite deste domingo (18).
“Foi um arrogante contra alguém que foi básico”, resumiu Sousa na transmissão, exibida no canal do BdF no YouTube e na Rádio Brasil de Fato.
Segundo o analista, Flávio Bolsonaro passou o debate “o tempo inteiro naquela provocação corporal”, andando atrás de Lula e fazendo gestos e “tiradinhas” contra o presidente. Para Sousa, a estratégia funciona com o eleitorado que já está do lado do senador. “Vai acionar muito bem para o eleitorado dele, principalmente o eleitorado já engajado aí entre bolsonaristas e antipetistas”, afirmou. “Ele mostrando toda aquela virilidade, macheza, que esse público gosta.”
O cientista político reconheceu que o candidato do PL apresentou propostas, como na área da segurança pública, mas avaliou que elas falam a quem já vota nele. Sousa disse que o senador fugiu de perguntas e ligou o “gerador de lero-lero”. Quando o tema foi economia, “ele não falou”. Quando foi contestado sobre a saúde, respondeu “só com os seus lemas”, o que, segundo o analista, “vai pregar para convertidos, mas tem pouco efeito para os indecisos”.
“Efetivamente, não mostrou um conhecimento mínimo da máquina […] do Executivo, acenou muito mais para o debate sobre o Congresso, só que ele não é candidato a deputado”, disse. Para Sousa, em outros momentos o senador falou “muito mais como um prefeito do que propriamente como um presidente da República”.
Sobre Lula, o analista apontou “uma certa vacilação” no começo do debate. Segundo ele, o presidente pareceu “assustado” com a postura do adversário, sobretudo quando Flávio Bolsonaro levou ao debate o nome da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, investigada pela Polícia Federal (PF). O tema do primeiro bloco eram as mulheres, mas a discussão descambou para acusações. Sousa chamou o trecho de “lavagem de roupa suja” e “baixaria para lá de constrangedora”.
Para o professor, a campanha petista deveria ter previsto o ataque, depois de uma entrevista sobre o caso exibida pela CNN no sábado (17). “Da metade para o fim do debate, ele ficou mais à vontade e aí sim ele fez um debate sobre quem conhece a máquina, sobre quem tem experiência, sobre quem tem propostas”, afirmou. “Pontuou inclusive falhas do seu governo e aquilo que precisa e pode ser melhorado.”
Ainda assim, Sousa avaliou que o presidente “talvez precisasse ser um pouco mais do que básico, um pouco mais ousado”. Para o próximo debate, ele recomenda que Lula não caia em provocações e consiga “passar melhor a sua agenda de futuro” para um quarto mandato.
Na avaliação do cientista político, o debate “ajudou muito pouco” a mudar o quadro da disputa, embora Lula tenha saído “um pouco melhor”. O problema, segundo ele, é que boa parte dos indecisos, que estima entre 5% e 7% do eleitorado, pode ter desistido da transmissão logo no início. “Não dá para imaginar […] que boa parte dos indecisos […] que aguentou aquela primeira meia hora de debate não tenha […] desligado a TV ou mudado de canal”, disse.
Sousa lembrou que o indeciso também pode optar por se abster e afirmou que o desafio segue maior para a campanha de Lula. Do outro lado, Flávio Bolsonaro pode enfrentar mais questionamentos sobre temas em que não foi cobrado no debate, o que pode gerar dúvidas no eleitor ainda indefinido.
O analista também criticou o modelo do debate, sobretudo o bloco de confronto direto, com 15 minutos para cada candidato. Para ele, o formato está “um tanto quanto comprometido” pela lógica de produzir cortes para redes sociais, “principalmente da extrema direita, que domina isso muito mais do que o campo progressista”.
Sousa lembrou que o formato foi aceito pelas duas campanhas. Ele sugeriu que a campanha de Lula e o campo democrático proponham regras mais restritivas: tempos menores, debates mais temáticos e penalidades, como direito de resposta ao adversário, para quem fugir da pergunta.
“Ninguém dá para dizer que foi pego de surpresa”, afirmou. Segundo ele, a estratégia já apareceu nos debates de Jair Bolsonaro em 2018, em 2022 e com Pablo Marçal na eleição municipal de São Paulo, em 2024. Marçal acompanhou Flávio Bolsonaro no debate deste domingo, e Sousa o chamou de “um dos papagaios de pirata do Flávio na plateia”.
O próximo debate entre os dois candidatos está previsto para a sexta-feira (23), na TV Globo. O segundo turno ocorre no domingo (25).
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Fonte: Brasil de Fato