Planalto nega relação de Lula com Roberta Luchsinger e vê tentativa de interferência eleitoral
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O Palácio do Planalto divulgou uma nota em que rejeita qualquer envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com supostas tratativas relatadas pela empresária Roberta Luchsinger, conhecida por sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, filho de Lula . O governo afirma que o chefe do Executivo nunca manteve contato com ela, não recebeu demandas de sua parte e desconhece os episódios mencionados. A manifestação também questiona o momento em que as declarações vieram a público, às vésperas do segundo turno das eleições de 2026.
A manifestação ocorre em meio à repercussão de declarações de Luchsinger, que, em entrevista à CNN Brasil, neste sábado (17), rebateu afirmações de Lula, negou ser uma “pilantra” e afirmou ter se tornado “boi de piranha”. A controvérsia ganhou dimensão política durante a reta final da disputa eleitoral.
Na nota, o Planalto é categórico ao afastar qualquer relação entre o presidente e as alegações da empresária:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta.”
Planalto questiona momento das declarações
Além de negar as alegações, o governo federal manifesta preocupação com a divulgação das declarações em um período decisivo da campanha eleitoral.
Na segunda parte da nota, o Planalto estabelece uma relação entre o episódio e a circulação de acusações sem comprovação em eleições anteriores. O comunicado sustenta que iniciativas dessa natureza podem afetar o debate público e a liberdade de escolha dos eleitores.
“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores”, destaca a nota.
Na entrevista, Roberta afirmou que o filho do presidente Lula mantinha encontros frequentes com ministros do governo federal. Ela também manifestou interesse em firmar um acordo de delação premiada, embora sustente que não cometeu crimes.
Durante a entrevista, Roberta contestou declarações feitas por Lula ao podcast Flow, em 1º de outubro. Na ocasião, o presidente afirmou não acreditar que seu filho tivesse procurado integrantes do governo para negociar contratos públicos.
“Eu duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu. Duvido que meu filho tenha conversado com alguém a respeito disso [contratos públicos]”, declarou Lula.
Roberta apresentou uma versão diferente sobre a frequência dos contatos de Lulinha com autoridades federais. Segundo ela, os encontros aconteciam regularmente, embora não tenha especificado os assuntos discutidos.
A empresária também mencionou uma suposta visita de Fábio Luís à residência do senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana, no Ceará.
“Inclusive [Fábio Luís] viajou para a casa do ministro Camilo [Santana], no Ceará”, declarou.
Em nota, Camilo Santana negou ter se reunido com Fábio Luís para discutir assuntos relacionados ao governo ou qualquer atividade comercial. O senador também afirmou não manter relação com Roberta Luchsinger.
Questionada especificamente sobre uma das linhas de investigação da Polícia Federal, que envolve a possível comercialização de canabidiol ao Ministério da Saúde, Roberta reconheceu que não presenciou conversas entre Fábio Luís e ministros sobre o assunto.
Outro ponto da entrevista foi a disposição manifestada pela empresária de colaborar formalmente com as investigações. Roberta afirmou que deseja negociar um acordo de colaboração premiada e que poderia fornecer informações adicionais às autoridades.
Segundo ela, uma eventual colaboração poderia incluir “talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp”. Apesar da manifestação de interesse, Roberta afirmou não ter cometido qualquer crime. A celebração de um acordo de colaboração premiada, entretanto, pressupõe o reconhecimento da participação do colaborador em práticas criminosas e o fornecimento de informações e elementos que contribuam para as investigações.
Fonte: Brasil 247