PM-PE de Raquel Lyra prendeu quase 20 militantes que estavam fazendo campanha contra Flávio Bolsonaro!
Por Gabriel Girão — Esquerda Diário
Em um único sábado, a polícia comandada pela governadora “neutra” deteve 18 jovens no Recife e em Gravatá por colarem lambes denunciando Flávio Bolsonaro e a escala 6×1. Repudiamos a repressão e exigimos que nenhum processo seja aberto contra os militantes.
A cena se repetiu no mesmo dia, em duas cidades de Pernambuco. No sábado (10), quatro estudantes foram abordados por PMs armados de fuzis enquanto colavam lambes em Casa Amarela, na zona norte do Recife. Os cartazes denunciavam a posição de Flávio Bolsonaro contra o fim da escala 6×1 e o corte de verbas do Farmácia Popular durante o governo de seu pai. Duas viaturas levaram os jovens até a Polícia Federal, numa tentativa de enquadrá-los por crime eleitoral de disseminação de notícia falsa. A tentativa foi tão grotesca que o próprio delegado de plantão da PF classificou o caso como atípico, liberou os estudantes e arquivou a ocorrência.
No mesmo sábado, em Gravatá, no Agreste, a dose foi ainda maior: 14 militantes foram detidos pela PM sob a mesmíssima acusação. O lambe que colavam dizia apenas o fato incontroverso de conhecimento público: que Flávio Bolsonaro trabalha só três dias por semana, mas quer que o trabalhador siga na 6×1. Foram levados à delegacia e podem ter que responder a processo. São 18 pessoas detidas em poucas horas, e o crime delas foi dizer a verdade sobre o candidato da extrema direita.
Não se trata de “excesso” de um ou outro policial. Colar lambe não é crime nem mesmo na legislação. No Recife, a legislação tipifica no máximo como irregularidade administrativa. Mesmo assim, a PM, em nota, alegou a regularidade da abordagem. A indignação com os casos foi tanta que um grupo Diante dos casos, um grupo de juristas pernambucanos protocolou na quarta-feira (14) uma representação no Ministério Público de Pernambuco cobrando esclarecimento e providências.
Quem comanda a PM é Raquel Lyra
É preciso dizer com todas as letras: a Polícia Militar de Pernambuco tem comandante, e ela se chama Raquel Lyra (PSD). Apesar da pretensa neutralidade, a polícia da governadora vem reprimindo sistematicamente quem faz campanha contra Flávio Bolsonaro.
A “neutralidade” de Raquel, portanto, não é neutra. Dentre seus principais aliados está o deputado Mendonça Filho, que faz questão de se dizer torcedor do “Raquel Lyra Futebol Clube”. Além disso , é aliado de primeira hora de Flávio coordena a campanha de Flávio em Pernambuco e articula uma visita do candidato ao estado antes da votação de 25 de outubro. Não à toa, Flávio cogitou a governadora para vice e citou nominalmente a governadora quando prometeu ajudar os estados caso eleito.
O que fica claro é que Raquel Lyra se prepara, para, num eventual governo Flávio Bolsonaro, se aliar à extrema direita. E, além disso, já localiza a polícia para reprimir qualquer iniciativa de luta que surja, independente do resultado das eleições, o que não é de surpreender frente a uma governadora que teve como modus operandi judicializar desde o início todas as greves que enfrentou em seu governo.
O fim da escala 6×1 mostra a força para combater a extrema direita e seus aliados
A repressão acontece justamente no momento em que a classe trabalhadora arrancou uma vitória histórica. A aprovação do fim da escala 6×1 no Senado, com 75 votos, mostrou que existe uma enorme força social capaz de enfrentar o bolsonarismo, mesmo depois de Flávio vencer o primeiro turno e de a extrema direita eleger as maiores bancadas do Congresso. Essa força se expressou nas manifestações massivas que estão ocorrendo assustou tanto a direita que os senadores bolsonaristas não tiveram coragem de votar contra uma bandeira histórica da nossa classe.
Mas sabemos que eles não vão parar por aí. Um eventual governo Flávio Bolsonaro tentaria implementar a sua “escala 7×0”, a PEC que paga só pelas horas trabalhadas, e aprofundaria a obra de Temer e Jair Bolsonaro, com a reforma trabalhista e da previdência, que seguem de pé até hoje.
Por isso, repudiamos categoricamente a repressão aos militantes detidos no Recife e em Gravatá e exigimos que não haja nenhum processo, inquérito ou perseguição contra eles. Que a repressão de Raquel Lyra seja combustível na luta contra a extrema direita, inclusive com quem já ensaia uma aliança com o bolsonarismo caso o mesmo vença. É com a força da juventude e da classe trabalhadora organizada que derrotaremos a extrema direita.
Fonte: Esquerda Diário