Tiago Barbosa: ‘imprensa hegemônica virou GPT de banqueiro bandido’
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – A revelação das relações promíscuas entre executivos dos maiores conglomerados de comunicação do país e representantes do capital financeiro escancarou de forma definitiva o colapso ético e reputacional da mídia hegemônica brasileira. A avaliação foi feita pelo jornalista e colunista do Brasil 247, Tiago Barbosa, em participação no programa Fura-Bolha, da TV 247.
Durante a entrevista, ele destacou que as denúncias recentes materializam aquilo que o campo progressista denuncia há décadas: a completa subordinação do jornalismo corporativo às diretrizes econômicas de seus financiadores, chegando ao ponto de transformar profissionais e veículos em meros reprodutores de interesses privados — o que ele classificou como uma transição para o papel de “GPT de banqueiro”.
“A matéria e o texto são os produtos finais e mais sagrados da apuração jornalística, devendo ser blindados contra qualquer ingerência externa. Ver banqueiros ditando o que entra, o que sai, o título e até o horário de publicação de uma notícia é a rendição e a humilhação completa da profissão.”
— Tiago Barbosa, no Fura-Bolha (TV 247)
Do ‘jornalismo profissional’ à subordinação cega
A discussão ganhou forte apelo ao evidenciar o duplo padrão histórico adotado pelas grandes redações. Enquanto o jornalismo corporativo se autoatribui o selo de “isento”, “técnico” e “profissional”, costuma carimbar veículos independentes e progressistas com os rótulos pejorativos de “militantes” ou “ativistas”, em uma tentativa contínua de desqualificar a cobertura crítica.
Para Barbosa, as revelações atuais invertem completamente essa equação moral. O chamado “jornalismo profissional” mostrou-se capturado por esquemas envolvendo fraudes bilionárias e escândalos corporativos, enquanto cobrava padrões éticos desproporcionais de governos populares e alvos políticos específicos.
A urgência da regulamentação e do combate à mordaça privada
Outro ponto central debatido no programa foi o pânico sistemático criado pelas grandes redes de TV e jornais sempre que se menciona a necessidade de regulamentação dos meios de comunicação ou das plataformas digitais. Segundo a análise apresentada, o discurso de que qualquer regulação equivale a “censura” serve apenas para blindar um mercado desregrado e altamente oligopolizado.
Barbosa enfatizou que a verdadeira mordaça já existe e é aplicada diariamente por forças financeiras privadas sobre o interesse coletivo. Quando uma pauta de interesse social é abafada ou distorcida para não ferir um parceiro comercial, a sociedade é quem sofre a verdadeira censura.
Medidas urgentes para o fortalecimento da comunicação pública:
- Revisão dos Critérios de Publicidade Estatal: Fim do modelo que retroalimenta os oligopólios de mídia baseando-se estritamente na audiência comercial gerada pelo próprio aporte de recursos públicos.
- Fortalecimento dos Canais Públicos: Criação e ampliação de estruturas públicas de comunicação — como canais de notícias 24 horas e programas educativos — com foco no cidadão, e não no Estado ou em governos específicos.
- Apoio Firme à Imprensa Independente: Garantia de descentralização das verbas de comunicação governamentais para garantir a sustentabilidade de veículos alternativos que atuam na linha de frente do debate de ideias.
- Diálogo Direto com a Sociedade: Utilização estratégica dos meios abertos e das redes digitais para que as instâncias republicanas comuniquem suas ações diretamente ao povo, sem a intermediação tóxica de filtros corporativos.
Caminhos para o futuro do debate público
A entrevista encerrou apontando que a superação da crise ética na imprensa brasileira passa por uma mobilização permanente da sociedade e do campo progressista, especialmente no ambiente digital.
Para o jornalista, o enfrentamento aos algoritmos das Big Techs e o desmonte do poder das corporações financeiras sobre as redações são premissas fundamentais para a consolidação da democracia e para o resgate do verdadeiro papel do jornalismo: servir ao interesse público com seriedade, verdade e independência.
Fonte: Brasil 247