Brasileiro dá volta ao mundo sozinho em avião monomotor

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Por Márcio Diniz — Catraca Livre

O piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, concluiu uma volta ao mundo sozinho a bordo de um avião monomotor. Aos 52 anos, ele percorreu 77 mil quilômetros, acumulou 297 horas de voo e realizou pousos em 33 países de cinco continentes. A expedição durou 182 dias, entre 15 de março e 12 de setembro de 2026, quando retornou ao Ceará.

A viagem começou a ser planejada quatro anos antes e exigiu adaptações na aeronave, testes de longa distância e autorizações para sobrevoar diferentes países. Durante o percurso, Frota enfrentou uma pane elétrica, falhas de navegação, vazamento de combustível e temperaturas de até 22 graus negativos na Groenlândia.

Aos 52 anos, piloto transforma paixão de infância em volta ao mundo solo

A história chama atenção também pela idade em que o cearense começou a pilotar. Embora a aviação fosse uma paixão desde a infância, ele só tirou o brevê aos 44 anos, quando já havia construído uma carreira no mercado financeiro e constituído família.

O projeto ganhou o nome de Frotas Pelo Mundo e passou a ser documentado em um diário de viagem, com registros dos preparativos, das etapas percorridas e das dificuldades enfrentadas.

“Desde 2022, a gente vem trabalhando mês a mês, divide o projeto em projetinhos menores”, conta o piloto, ao explicar como organizou a expedição enquanto conciliava os compromissos profissionais e familiares.

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Avião passou por adaptações para cruzar continentes

Antes de iniciar a volta ao mundo, Frota decidiu testar a aeronave e sua capacidade de realizar voos internacionais de longa distância.

Em 2024, fez uma viagem de Fortaleza aos Estados Unidos, com retorno ao Brasil. O percurso somou aproximadamente 15 mil quilômetros, 60 horas de voo e passagem por dez países.

A experiência permitiu avaliar as comunicações aéreas em inglês, os procedimentos exigidos em aeroportos internacionais e as limitações do avião.

Depois do teste, a aeronave experimental passou por uma revisão de 40 dias. Os tanques das asas foram ampliados, enquanto um reservatório adicional de combustível foi instalado no espaço antes ocupado pelo banco traseiro.

Com as modificações, a autonomia chegou a quase 15 horas de voo, condição necessária para enfrentar trechos com poucas alternativas de pouso e abastecimento.

A preparação também envolveu o planejamento de rotas, a obtenção de autorizações internacionais e a organização de períodos de reserva para possíveis atrasos.

Pane elétrica e frio extremo marcaram a viagem

Ao longo dos seis meses de expedição, Frota precisou lidar com problemas técnicos e mudanças de roteiro.

Entre os episódios enfrentados estiveram falhas de navegação, uma pane elétrica e um vazamento de combustível. Na Groenlândia, o piloto encontrou temperaturas de 22 graus negativos.

Ao longo dos seis meses de expedição, Frota precisou lidar com problemas técnicos e mudanças de roteiro

“O perigo existe e continua lá. Não é porque você venceu uma etapa que pode achar que está tudo resolvido e baixar a guarda”, afirma.

Além das condições de voo, questões burocráticas também interferiram na programação. Atrasos na obtenção de autorizações nas Filipinas comprometeram parte do cronograma.

No México, novas dificuldades levaram à alteração do trajeto de retorno, com a retirada da passagem pela América do Sul que estava prevista no roteiro original.

Para enfrentar situações como essas, o piloto havia reservado dias extras em determinadas etapas da viagem.

“No planejamento geral, já tinha previsto isso, então deixava em alguns lugares bolsões de reserva de dias”, explica.

Paixão pela aviação começou na infância

A conclusão da volta ao mundo aconteceu oito anos depois de Frota conquistar sua licença de piloto.

A decisão de aprender a voar aos 44 anos surgiu em uma fase da vida em que ele já trabalhava como gestor de recursos e tinha responsabilidades familiares.

O projeto de percorrer o planeta começou a ganhar forma à medida que acumulava experiência na aviação. Antes da partida, foi necessário organizar uma ausência de quase seis meses, considerando o trabalho, os custos da expedição e o período longe da esposa e dos filhos.

A preparação iniciada em 2022 permitiu dividir o objetivo em etapas, desde o primeiro voo internacional de teste até as modificações no avião e a definição do itinerário.

O percurso completo, com registros da preparação e dos países visitados, está documentado no site Frotas Pelo Mundo.

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Fonte: Catraca Livre

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