Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – Às vésperas da definição do futuro político do país, o programa Trilhas da Democracia, transmitido pela TV 247, recebeu o professor de Relações Internacionais da UFABC e dirigente histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), Valter Pomar. Com uma análise incisiva sobre o cenário eleitoral, Pomar reafirmou sua convicção na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno contra a candidatura da extrema-direita representada por Flávio Bolsonaro.

Para o historiador, o motor principal da virada eleitoral não reside em acenos à classe dominante ou em alianças com setores do empresariado, mas sim na força do trabalho de base promovido pela militância progressista — aquilo que ele define carinhosamente como a “nação petista”.

A dinâmica do eleitorado e os limites das ilusões de classe

Durante a entrevista, Valter Pomar lembrou que, desde o final de 2024, previa uma disputa acirrada decidida no segundo turno por uma pequena margem de votos. Crítico das avaliações otimistas que previam uma vitória no primeiro turno, ele apontou que a esquerda brasileira ainda enfrenta o desafio de conscientizar e mobilizar a população de forma contínua.

“Temos o apoio do setor social que é majoritário na população brasileira: trabalhadores pobres, mulheres, negros e negras, moradores das periferias e do Nordeste. É com este setor que nós temos que dialogar para vencer as eleições.” — Valter Pomar

Pomar alertou para o erro histórico de se fiar no apoio das elites econômicas, lembrando o comportamento da burguesia nacional em momentos decisivos. “A classe dominante brasileira, na hora do ‘vamos ver’, fica esmagadoramente do outro lado. O Partido dos Trabalhadores nasceu nos anos 1980 reafirmando que apenas a classe trabalhadora é capaz de transformar o Brasil no sentido popular e democrático”, pontuou.

O “Baú de Maldades” e as ameaças no na reta final

Com base em seu recente artigo, intitulado “Baú de Maldades Cavernícolas”, o dirigente relacionou uma série de riscos e ingerências que a campanha popular pode enfrentar nos dias que antecedem a votação. Entre os doze pontos destacados no manifesto, Pomar deu ênfase a dois aspectos críticos:

  1. Ações Institucionais e Parcialidade: As decisões enviesadas da cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o uso discricionário do poder institucional para favorecer a extrema-direita.
  2. Segurança e Violência Política: A necessidade de reforçar a segurança das candidaturas majoritárias diante de possíveis provocações ou atentados diretos praticados por grupos radicais.

Como antídoto a essas ameaças, Pomar argumenta que a resposta deve vir do convencimento “pé no ouvido”. O foco da militância deve ser conversar diretamente com o cidadão comum — o vizinho, o colega de trabalho, a pessoa no transporte público —, desfazendo desinformações e reafirmando o caráter popular do projeto de governo.

Mobilização popular e a pauta do fim da jornada 6×1

Outro ponto alto do debate foi o papel das ruas na construção da governabilidade. Pomar e os apresentadores ressaltaram como a pressão popular e os movimentos estudantis e sindicais foram decisivos para pautar o Congresso Nacional, citando como exemplo emblemático a tramitação e aprovação do fim da escala de trabalho 6×1.

Para Pomar, o episódio demonstrou que a maioria conservadora no Parlamento não é um obstáculo intransponível quando há engajamento de massa e pautas que tocam diretamente a vida do trabalhador. Ele defendeu ainda a urgência de reformas estruturais, destacando a reforma política e eleitoral para banir o abuso do poder econômico e recuperar a essência da democracia popular.

“Confia em Deus e mantenha a pólvora seca”

Para o dia da votação e os momentos subsequentes à apuração, o recado de Valter Pomar é de vigilância ativa. Invocando uma célebre frase atribuição ao líder histórico Oliver Cromwell — “Confia em Deus e mantenha a pólvora seca” —, o professor alertou que a extrema-direita e seus apoiadores não aceitarão passivamente o resultado democrático das urnas.

“No domingo da eleição, é fundamental a presença ativa nos locais de votação o tempo todo. As pessoas têm que estar lá usando bandeiras e camisas, mostrando uma maré de gente nas ruas. É isso que vai impedir qualquer manobra na apuração. Nós vamos vencer, mas precisamos manter a guarda levantada.” — Valter Pomar

Ao encerramento da transmissão, a mensagem que ecoou no programa Trilhas da Democracia foi de esperança e firmeza ideológica: a vitória dependerá do empenho consciente da nação petista e de todos os defensores dos direitos sociais em ocupar o espaço público e garantir o futuro democrático do Brasil.

Fonte: Brasil 247

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